Mais de 530 mil imóveis na Grande São Paulo continuavam sem energia elétrica até as 5h40 desta segunda-feira (14), segundo a concessionária Enel. Para restabelecer o fornecimento, as equipes da empresa em campo receberam reforço do Rio de Janeiro e Ceará e de outras distribuidoras de energia.

Só na capital paulista, cerca de 354 mil imóveis estão sem energia elétrica. Entre os municípios mais impactados, estão Cotia, com 36,9 mil clientes sem energia; Taboão da Serra, 32,7 mil; e São Bernardo do Campo, 28,1 mil.

Segundo a Enel, até a manhã de hoje, mais de 1,5 milhão de clientes que haviam ingressado com chamados ao longo dos últimos dias tiveram o serviço normalizado. O apagão na região metropolitana se estende desde a última sexta-feira (11), quando um temporal atingiu a região.

Desde sexta-feira, as equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil atenderam mais de 500 ocorrências em todo o estado, entre quedas de árvores e desmoronamentos de muros. No total, sete pessoas morreram em decorrência das chuvas, sendo três em Bauru, duas em Cotia, uma em Diadema e uma na capital.

Apagão afeta Nunes e Tarcísio

O apagão já está refletindo na popularidade do prefeito Ricardo Nunes (MDB), candidato à reeleição e também do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ambos não conseguiram fazer a Enel retomar os serviços, e passaram a culpar o governo do presidente Lula pelo apagão. A desculpa dada pelos governantes não “colou” junto a opinião pública e vários protestos estão sendo registrados e inúmeros bairros de São Paulo e da região metropolitana.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), rebateu Tarcísio de Freitas (Republicanos) depois que o governador de São Paulo usou as redes sociais para criticar a Enel e dizer que a concessão da energia elétrica em São Paulo é de responsabilidade do governo federal.

“Gostaria de lembrar ao governador Tarcísio de Freitas , que a atual composição da ANEEL, entidade responsável pela fiscalização da Enel, foi nomeada com mandato, pelo governo anterior, do qual ele foi destacado integrante”, escreveu Silveira no X.

“O MME já avisou que não há qualquer indicativo de renovação da concessão da distribuidora em São Paulo e que a omissão da agência deve ser investigada pelos órgãos de controle”, acrescentou o ministro.

 

Nunes impediu CPI da Enel

Em sua página na internet o deputado estadual Eduardo Suplicy recorda que o prefeito Ricardo Nunes impediu a investigação da CPI da Enel, que pretendia investigar a precarização dos serviços após o apagão de 2023.
“A base governista agiu para “proteger” a Prefeitura que não quis assumir a responsabilidade sobre a zeladoria e a poda das árvores na cidade. O que vem acontecendo em São Paulo desde 6ª feira é a prova que o Prefeito também não traçou planos de contingência para evitar novos apagões, nem planejamento para preparar a administração de SP para eventos climáticos extremos”, aponta Suplicy.
Ver tradução

Água

De acordo com a Sabesp, a falta de energia elétrica impacta no abastecimento de água e orienta, diante disso, o uso consciente da água armazenada nas caixas residenciais em toda a região metropolitana. A interrupção do fornecimento de eletricidade afeta o funcionamento de estações elevatórias e boosters, equipamentos que transportam a água para locais mais altos.

O Procon-SP informou que notificará a Enel Distribuição São Paulo para explicar sobre a demora para o restabelecimento da energia elétrica e que solicitará a apresentação de planos detalhados para o enfrentamento de eventos climáticos severos. O órgão acompanha também impactos em hospitais e em instalações médicas e de saúde, incluindo residências nas quais há equipamentos de suporte à vida. O Procon-SP orienta os consumidores a registrar prejuízos causados pela falta de eletricidade e formalizar reclamações.

Com informações da Agência Brasil