O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, declarou que “ninguém gostou” da carta golpista de Flávio Bolsonaro e que é necessário “tocar o partido para frente”. A fala de Valdemar isola mais ainda Flávio Bolsonaro.
“Não gostei”, afirmou. “Lógico que ninguém concorda com isso. Queremos tocar o país e o partido para frente. Ninguém aprova isso. Ninguém quer ter problema. Flávio passou por uma situação difícil. Nós compreendemos, mas não aprovamos”, disse Valdemar.
Na carta, Flávio Bolsonaro se diz perseguido se autodeclara “presidente eleito do Brasil”, apesar do resultado das urnas. Flávio também agradeceu aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei.
Minutos depois, após a divulgação do documento, uma nova versão foi publicada, substituindo a expressão “presidente eleito do Brasil” por “líder”, por ordem de Donald Trump.
A carta de Flávio Bolsonaro desagradou amplos setores, inclusive seus aliados.
De acordo com reportagem do jornal O Globo, três em cada quatro políticos eleitos pelo PL ignoraram a carta de Flávio Bolsonaro que questiona o resultado da eleição presidencial e alega fraude nas urnas.Segundo o levantamento do Globo entre 155 parlamentares e governadores escolhidos pelo partido aponta que 117 não compartilharam nem defenderam o documento, o equivalente a 75% do total. Ou seja, rechaçaram a segunda aventura golpista do clã, visto os problemas decorrentes da primeira iniciativa, entre o 2o turno e o 8 de janeiro de 2022, após a posse de Lula.
Outros 38 eleitos manifestaram apoio ao conteúdo da carta. O universo analisado reúne 121 deputados federais, 28 senadores e seis governadores, com base em vídeos e publicações nas redes sociais após o segundo turno.
Flávio divulgou o texto após descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes. Na carta, ele alegou fraude sem apresentar indícios e se chamou de “verdadeiro presidente eleito”.