Mãe Isabel de Oxum (PT), cujo nome completo é Isabel Cristine Dias dos Santos, é candidata a deputada federal por Goiás nas eleições de 2026 com o número 1307 e denuncia que foi vítima de intolerância e racismo religioso contra iniciante no Candomblé em Goiânia
A líder religiosa trouxe a público uma grave denúncia de intolerância e racismo religioso praticada contra uma de suas filhas de santo e iniciante na religião de matriz africana, Míria Cristina Rodrigues Monteiro. O caso ocorreu na capital goiana no início deste mês de setembro e envolve a empresa Centro de Movimento Morbeck.

Segundo o relato formulado por Míria Cristina e encaminhado à liderança da casa religiosa Ilê Asé Obirin Omin Osun, os constrangimentos e retaliações tiveram início durante seu período de recolhimento ritual para a iniciação religiosa, realizado entre os dias 30 de agosto e 5 de setembro de 2026.

Antecedentes e retaliações administrativas
Antes de entrar em recolhimento sagrado, Míria comunicou formalmente sua ausência temporária ao estúdio Centro de Movimento Morbeck e providenciou a substituição de todas as suas aulas com outro profissional da equipe para não prejudicar os alunos. Apesar de ter cumprido todos os procedimentos requeridos, a trabalhadora relatou ter sido questionada de forma ríspida pela proprietária do local, Thaise Naia Alves Morbeck.
Durante o período em que esteve no terreiro, Míria ainda recebeu cobranças sobre a assinatura da folha de ponto e, mesmo explicando as limitações da rotina intensa do recolhimento e destacando ter preenchido todos os relatórios de atendimento via aplicativo, a proprietária adotou medida punitiva no grupo de trabalho da empresa, retendo o pagamento dos profissionais com pendências no ponto.
Constagimento, invasão de espaço sagrado e demissão sumária
Ao sair do recolhimento, Míria retornou ao trabalho na terça-feira, 8 de setembro, cumprindo os preceitos sagrados do seu período de resguardo religioso: vestia roupas inteiramente brancas, estava com a cabeça e o quelê cobertos e observava a restrição de não se assentar em cadeiras.
Durante o expediente, a profissional enfrentou situações de constrangimento e invasão de seu corpo sagrado. Uma aluna tentou tocar sua cabeça — parte do corpo considerada sagrada no Candomblé (Ori) —, sob a justificativa de remover um inseto. Míria interveio pedindo que a cliente não a tocasse e prosseguiu com o atendimento.
Ao final da aula, enquanto finalizava os relatórios sentada no chão para respeitar os preceitos do resguardo, a trabalhadora percebeu que estava sendo observada à distância pela proprietária e pela gerente do estúdio, que conversavam em tom de segredo e apontavam em sua direção de maneira intimidadora.
Em seguida, Míria foi chamada para uma reunião reservada. Por conta das restrições religiosas, optou por sentar-se no chão da sala. Diante da situação, a proprietária Thaise Morbeck demonstrou visível desconforto e comunicou a demissão sumária da profissional, alegando de forma genérica que “o estúdio não havia se adaptado” a ela.
Míria recolheu seus pertences e retirou-se do local sob olhares de julgamento para reportar o fato à sua liderança espiritual.
Cobrança por justiça e direitos constitucionais
Diante dos fatos, Mãe Isabel de Oxum destacou a gravidade da conduta, que viola preceitos constitucionais de liberdade de crença e liturgia, configurando discriminação e racismo religioso no ambiente de trabalho. O relatório formulado pela vítima foi formalizado e submetido às autoridades e à avaliação da comunidade religiosa para que as medidas cabíveis sejam tomadas.