A aproximação entre Brasil, Rússia e China deve se intensificar no próximo mês. No vácuo deixado pelos Estados Unidos com o aumento de tarifas para importações, os presidentes Lula, Putin e Xi Jinping irão se encontrar e novos acordos podem ser realizados como forma de firmar novos projetos e até mesmo ampliar os mercados entre os países.
Lula vai a Rússia para celebração dos 80 anos da vitória na Segunda Guerra Mundial, que ocorreu no dia 9 de maio em 1945, quando as tropas soviéticas tomaram Berlim e os representantes do regime nazista assinaram a rendição. A viagem a Moscou é a convite do presidente russo, Vladimir Putin.
Lula e Putin devem discutir a agenda global e bilateral e a guerra da Rússia na Ucrânia. O presidente brasileiro expressou sua preocupação com o cenário internacional e reafirmou o “compromisso do Brasil com a promoção da paz”.

Mais comércio com a China
Os chineses querem contornar as medidas de Trump e a América Latina é vista com uma das principais opções. Para o Brasil, que ficou entre as nações com menores tarifas dos EUA, a situação é complexa e todos os cenários devem ser observados.
Com isso, Lula e comitiva devem aportar no gigante asiático que organiza a Cúpula China-Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), em 12 e 13 de maio. A definição desse encontro foi tomada durante a 9ª Cúpula da Celac, realizada em Honduras, em que o presidente brasileiro esteve.
Em 2023, o líder brasileiro reestabeleceu as pontes com o nosso principal parceiro comercial ao visitar a China e firmar o maior acordo da história entre os países. A visita teve retribuição em 2024, quando Xi Jinping veio ao Rio de Janeiro para a Cúpula do G20 e depois foi recebido no Palácio da Alvorada, em Brasília.
Além desse novo encontro entre os líderes (que também estiveram juntos durante a Cúpula dos Brics, em 2023, na África do Sul), eles poderão se encontrar mais duas vezes este ano: durante a Cúpula dos Brics, em julho, no Rio de Janeiro, e também durante a COP 30, em novembro, no Pará.
Novo PAC
Informações apontam que o ministro da Casa Civil, Rui Costa, deverá ir ao país asiático dias antes para delinear projetos de infraestrutura e logística no âmbito do Novo PAC. Uma das principais obras em discussão diz respeito a ferrovias. Em novembro passado os chineses inauguraram o porto de Chancay, no Peru. É de interesse de chineses, brasileiros, peruanos e demais países da América do Sul ter uma ligação entre portos pela Ferrovia Bioceânica (Atlântico-Pacífico), fundamental para escoar a produção de commodities rumo à Ásia.
Na parte brasileira, as ferrovias estão parcialmente prontas com a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), ligada ao porto em Ilhéus (BA), passando pela Ferrovia Norte-Sul para alcançar a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), com trecho que deve chegar até Lucas do Rio Verde (MT) este ano. Depois poderá ir até Vilhena, em Rondônia, a depender do projeto, ficando próxima da fronteira com a Bolívia.
Outro indicativo, este dado pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, é de que a comitiva brasileira se colocará à disposição dos chineses para substituir frigoríficos norte-americanos na oferta de carne bovina. O ministro avalia a situação como ‘oportunidade’.
Com informações da Agência Brasil e Portal Vermelho