Entre os candidatos sabatinados pelo Jornal Nacional o presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT) recebeu a maior nota: 3.0 (numa escala de 1 a 5) e alcançou a maior audiência. O senador  Flávio Bolsonaro (PL) teve nota 2,4 e ficou, juntamente com Renan Santos (Missão) entre os candidatos com pior audiência. O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) recebeu nota 2, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado(PSD) teve a menor nota até agora: 1,4. O empresário Renan Santos ficou com a segunda melhor nota: 2,6.

 

Notas Médias dos candidatos na sabatina do Jornal Nacional

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 3,0
  • Renan Santos (Missão): 2,6
  • Flávio Bolsonaro (PL): 2,4
  • Romeu Zema (Novo): 2,0
  • Ronaldo Caiado (PSD): 1,4

Lula (PT)

  • Pontos Fortes: Demonstrou desenvoltura diante de questionamentos duros sobre corrupção, incluindo denúncias envolvendo seu filho e seu ex-chefe de gabinete. Apresentou dados consistentes e entusiasmo na área da educação. Mostrou que é estadista e apresentou propostas claras para o desenvolvimento do país, enfatizando investimentos em Defesa, Soberania, Inteligência Artificial, obras de infra-estrutura,  como portos, rodoviais, ferrovias, universidades e em Saúde e Educação.
  • Audiência: Dados consolidados revelam que o presidente Lula (PT) alcançou a maior a maior audiência entre os candidatos à presidência sabatinados no Jornal Nacional . Na entrevista desta quinta-feira (27), a audiência alcançou 30 pontos no Rio de Janeiro e 25 pontos em São Paulo.Quando Romeu Zema (Novo) concedeu a entrevista, a audiência ficou na casa dos 26 pontos no Rio e 24 em São Paulo. Por sua vez, a de Ronaldo Caiado (PSD) marcou 25 (RJ) e 22 (SP) e a de Renan Santos (Missão) 26 (RJ) e 20 (SP). A prévia indica que Flávio Bolsonaro ficou abaixo dos 19,8 pontos obtidos por Renan Santos (Missão), que até então detinha a menor média da série de entrevistas.
  • Pontos Fracos: Os analistas consideraram que houve certa agressividade com a jornalista Renata Vasconcellos ao ser questionado sobre contas públicas e a área fiscal.  Nas considerações finais perdeu a oportunidade de concluir todas suas proposta.

 

“Eu quero fazer uma revolução tecnológica nesse país. Eu quero voltar a fazer com que esse país dispute com o mundo rico. Esse país vai ter que apostar em uma inteligência artificial com linguagem portuguesa.”

(Ao defender a soberania tecnológica do Brasil para que o país desenvolva sistemas próprios de IA associados à exploração de terras raras e minerais críticos, em vez de apenas exportar matéria-prima)

 

 

 

Flávio Bolsonaro

  • Pontos Fortes: Foi altamente “treinado”  no processo de media training. Logo no início, tentou adotar a postura de “moderado” ao se solidarizar com a entrevistadora pelo embate ocorrido com Lula na noite anterior.
  • Pontos Fracos: Mentiu muito. Fez o estilo “Rolando Lero”.  Os colunistas do Globo avaliaram seu desempenho como “cru” e “pouco crível”. Flávio esquivou-se de dar explicações sobre o dinheiro que tomou do Banco Master, que está enrolado em acusações de roubo do dinheiro de aposentados da Previdência do Rio, de Aparecida de Goiânia e do Banco de Brasilia. Mostrou despreparado para o cargo de presidente ao não apresentar propostas para Previdência, ajuste fiscal e revelar que é negacionista e não reconhece as mudanças climáticas e necessidade de políticas de preservação ambiental

 

“Ele (Adriano da Nóbrega) estava sendo falsamente acusado de ter cometido homicídio e, na verdade, foi uma troca de tiros com o traficante, depois ficou comprovado que ele tinha trocado tiros com este traficante.”

(Ao defender a medalha que deu a Adriano da Nóbrega, ex-PM que se tornou um dos maiores matadores do Rio de Janeiro)

 

Ronaldo Caiado (PSD)

O ex-governador de Goiás concentrou sua participação na área em que possui maior vitrine política, mas enfrentou dificuldades ao responder sobre alianças e pautas econômicas nacionais.

  • Pontos Fortes:
    • Vitrine da Segurança Pública: Conseguiu capitalizar em cima da forte aprovação popular de seu governo estadual nessa área e dominou dados sobre a queda da criminalidade em Goiás.
    • Dados de Educação: Acertou ao citar os bons índices alcançados pelo estado de Goiás no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), mas foi lembrado por Renata Vasconcelos de que quando assumiu o governo em 2019, Goiás já era primeiro lugar no Ideb.
  • Pontos Fracos:
    • Discurso Longo e Evasivo: Adotou discursos muito extensos para evitar responder perguntas espinhosas, técnica vista por colunistas políticos como uma tática de “enrolação” (Rolando Lero).
    • Falta de Apoio Interno: Teve dificuldades para explicar de maneira consistente o motivo de não conseguir o apoio unânime nem de membros do seu próprio partido, uma vez que candidatos a governador e senado do PSD no Rio de Janeiro, Amazonas, Maranhão e Bahia apoiam a candidatura do presidente Lula.
    • Deslize Verbal: Derrapou ao utilizar o termo “pobres coitados” para se referir a trabalhadores que ganham um salário mínimo, sendo rotulado de elitista.
    • Erro Factual: Cometeu um erro de checagem ao citar de forma incorreta o poder real de prisão atribuído à agência policial Europol.

 

“Lógico, lógico. Olha, o pobre coitado está ganhando salário mínimo. O pobre coitado que está vivendo de aposentadoria. Deixa eles em paz, pelo amor de Deus.”

(Ao ser questionado por Renata Vasconcellos sobre propostas para garantir o aumento real do salário mínimo acima da inflação)

 

Romeu Zema (Novo)

O ex-governador de Minas Gerais foi sabatinado logo na abertura da série e teve de lidar com o peso do passivo financeiro de sua gestão estadual e posicionamentos polêmicos

Pontos Fortes:

    • Geração de Empregos: Conseguiu defender com firmeza o seu principal trunfo econômico estadual, que foi a criação de mais de um milhão de empregos formais em Minas Gerais.
    • Agenda Liberal: Disse de forma transparente que é à favor da privatização de estatais de grande como Petrobrás, Caixa Econômica e Banco do Brasil.
  • Pontos Fracos:
    • Calcanhar de Aquiles da Dívida: Foi duramente encurralado sobre o crescimento da dívida pública de Minas Gerais durante o período em que governou o estado. Suas justificativas parciais omitiram o recorde máximo de algumas metas fiscais. A dívida pública de Minas Gerais praticamente dobrou durante a gestão de Romeu Zema, saltando de aproximadamente R$ 88 bilhões em 2019 para mais de R$ 180 bilhões. Se considerada a dívida consolidada total (incluindo outros indexadores e passivos), o montante partiu de cerca de R$ 113 bilhões e ultrapassou a marca de R$ 201 bilhões.
    • Postura Defensiva e Interrupções: Teve uma fala muito pausada e sofreu mais de 10 interrupções por parte dos apresentadores, não conseguindo ditar o ritmo da entrevista.
    • Pautas Polêmicas: Adotou posições de difícil digestão com o eleitorado de centro ao defender a não obrigatoriedade de vacinas para doenças graves e a anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro.

 

“Eu tenho uma série de programas contra as mulheres que inclusive levei adiante”

(Candidato cometeu a gafe quando foi questionado pelos entrevistadores sobre os altos índices e o aumento de casos de feminicídio em Minas Gerais ocorridos ao longo da sua gestão)

 

 

 Renan Santos (Missão)

Candidato do partido ligado ao MBL, Renan Santos foi apontado por analistas de política como a surpresa de comunicação das sabatinas da semana.

  • Pontos Fortes:
    • Ritmo e Agilidade: Foi visto como melhor no quesito de comunicação e dinamismo. Acostumado ao formato frenético da internet, conseguiu desenvolver uma interação muito mais fluida e ágil com Renata Vasconcellos e César Tralli.
    • Apresentação dos Dados: Demonstrou preparo numérico ao apresentar dados sobre segurança pública e violência contra a mulher sem cometer erros factuais graves de checagem.
  • Pontos Fracos:
    • Falta de Apelo Popular (Audiência): Apesar do bom desempenho técnico elogiado por colunistas, registrou o pior índice de audiência na TV na Grande São Paulo entre os três candidatos, o que reflete a sua menor expressividade nas pesquisas de intenção de voto, talvez pelo discurso agressivo e fascista.
    • Omissões e fala de Plano de Governo: Ao ser confrontado sobre o tema de feminicídio, o fact-checking apontou que, embora conhecesse os dados nacionais, o plano oficial de governo de seu partido não trazia propostas diretas e detalhadas para o tema. Também mentiu ao dizer que é formado quando abandonou o curso de Direito da Universidade de São Paulo (USP). O candidato falou de “banho de sangue”, estimulando mais violência policial nas favelas e defendeu que o Brasil faça a bomba atômica, mas não apresentou qualquer estudo sobre o tema.
    • Machismo e misoginia – Renata Vasconcelos lembrou que 92% dos filiados do Missão são homens, destacou o discurso “red pill” de membros da legenda, como o deputado cassado “Mamãe Falei”, que perdeu o mandato na Alesp por associar as ucranianas a prostitutas. O Missão  ͏tem um dicurso misógino, de o ódio contra as mulheres e a defesa da manutenção de privilégios históricos – sociais, culturais, econômicos e políticos – para os homens, como, o papel de “chefe de família” e de ganhar mais que as mulheres.

 

“Eu quero fazer um banho de sangue com eles. Eu não vejo nada além de matar um sujeito como Doca – um dos líderes do CV no RJ.

(Frase do candidato sobre o combate à violência e às organizações criminosas, que induz mais violência e mais mortes nas favelas)

 

Com informações do jornal O Globo – fotos: reprodução JN e redes sociais