Lula conversou sobre o acordo Mercosul-UE com Ursula von der Leyen e Emmanuel Macron

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antecipou que a assinatura do acordo comercial entre os blocos econômicos Mercosul (Mercado Comum do Sul) e UE (União Europeia) deve ocorrer em 20 de dezembro.

O acordo Mercosul-UE é prioridade do Brasil, que preside o bloco sul-americano neste semestre. Lula anunciou a assinatura durante entrevista em Joanesburgo, na África do Sul, onde participou da Cúpula de Líderes do G20.

“É um acordo que envolve praticamente 722 milhões de habitantes e US$ 22 trilhões de Produto Interno Bruto. É uma coisa extremamente importante, possivelmente seja o maior acordo comercial do mundo. E aí, depois que assinar o acordo, vai ter ainda muita tarefa para a gente poder começar a usufruir das benesses desse acordo, mas vai ser assinado”, destacou Lula.

O acordo Mercosul-UE envolve dois textos, um econômico-comercial de vigência provisória e outro completo, já submetidos ao Parlamento Europeu e aos estados-membros, que precisam aprovar o material antes da entrada em vigor.

O texto depende da ratificação de ao menos 15 dos 27 países da UE, representando 65% da população do bloco, e também deve passar pelos parlamentos dos quatro países do Mercosul, mas a vigência é individual e não exige aprovação simultânea. Segundo Lula, a assinatura ocorrerá em Brasília, durante a Cúpula de Líderes do Mercosul, enquanto a reunião de alto nível ficará para o início de janeiro, porque o presidente do Paraguai não estará presente em dezembro.

Protecionismo e pressões europeias
A França classificou o acordo Mercosul-UE como “inaceitável”, alegando falta de exigências ambientais, e o presidente Lula respondeu dizendo que o país adota posição protecionista em defesa de seus interesses agrícolas. Agricultores europeus protestaram contra o pacto porque entendem que ele aumentaria importações de commodities sul-americanas, como carne bovina, mas a Comissão Europeia rejeita esse argumento.

Os defensores do acordo na UE afirmam que a iniciativa compensará perdas comerciais geradas por tarifas impostas pelos Estados Unidos e reduzirá a dependência da China em setores estratégicos, incluindo minerais essenciais usados na transição energética. Eles citam oportunidades para ampliar o mercado europeu de carros, máquinas e produtos químicos, além de fortalecer o fornecimento de insumos como lítio metálico.

Durante a entrevista, Lula reforçou que qualquer regra de salvaguardas adotada pela União Europeia precisa seguir os termos pactuados e disse que a vitória do texto abrirá nova etapa nas relações entre os blocos. Ele afirmou: “Possivelmente a gente marque a reunião do Mercosul para o começo de janeiro e assine [o acordo] no dia 20 de dezembro”, indicando que o cronograma político interno não deve alterar a decisão de concluir a fase de assinatura ainda neste ano.

Com informações da Agência Brasil – Foto: Ricardo Stuckert/PR/