O presidente Lula (PT) chamou de “pirataria” a proposta dos Estados Unidos assumirem o controle do Estreito de Hormuz, no Oriente Médio, e cobrarem 20% sobre a carga das embarcações. O Estreito de Ormuz, que pertence ao Irã e  é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico e é controlado por Omã e Irã. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela área.

A proposta foi feita hoje pelo presidente norte-americano, Donald Trump. “Talvez o chamemos de ‘anjo da guarda do estreito’. “E deveríamos ser reembolsados por isso”, disse o republicano, em entrevista.

Anúncio de Trump na sua plataforma Truth Social

Entenda

Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (13), feito por meio da rede social Truth Social,  novas medidas relacionadas ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Segundo o republicano, o governo americano passará a cobrar uma taxa de 20% sobre as cargas transportadas pela via marítima e retomará o bloqueio a navios e clientes ligados ao Irã.  Segundo o presidente, navios de outros países continuarão tendo acesso livre ao Estreito de Ormuz.

Trump afirmou que os Estados Unidos atuarão como “guardiões” do estreito e justificou a cobrança como uma forma de compensar os custos de segurança na região.

“O Estreito de Ormuz permanecerá aberto, mas os Estados Unidos serão conhecidos como o ‘Guardião do Estreito de Ormuz’. Por uma questão de justiça, receberemos 20% sobre toda a carga transportada para cobrir os custos necessários para manter a segurança da região”
Donald Trump, presidente dos EUA

 

Os preços do petróleo aceleram e superam a faixa dos 80 dólares por barril no início da tarde desta segunda-feira, 13, após o anúncio de Trump. Por volta das 14h34, os contratos futuros do petróleo brent disparam 6,78%, aos 81,16 dólares. Mais cedo, a commodity já avançava cerca de 2% devido às tensões no Oriente Médio.

 

Pirataria

Durante visita a laboratórios no Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo, Lula comentou as declarações do norte-americano.

“Hoje, tem um tuíte de Trump dizendo que vai desobstruir o Estreito de Ormuz, dizendo que vai desobstruir, mas cada navio, o dono do petróleo tem que pagar 20% pra ele”, introduziu Lula. “Antigamente, isso se chamava pirataria, um estado importante como os EUA, por muito tempo combateu a pirataria, não volte agora a virar pirata, não tem que cobrar, é da responsabilidade deles, não estava fechado, não foi o Brasil que inventou a guerra, foi ele [Trump] que inventou a guerra”, completou.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Visita aos Laboratórios de Robótica, Automotiva e NSPi do IMT, no Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em São Caetano do Sul – SP. Foto: Ricardo Stuckert

Ainda sobre a afirmação de Trump, o petista classificou “anormal” alguém querer “ganhar dinheiro em cima da desgraça”.

“É muito delicado a gente perceber que os EUA provocam uma guerra e agora começam a cobrar pelo navio que vai atravessar pela segurança dele, não é comum, não é normal, não é democrático, não é civilizatório. É uma coisa anormal, alguém aproveitar a desgraça pra ganhar dinheiro as custas da desgraça”, declarou o presidente brasileiro.

Estreito de Omruz

Irã reage

A agência de notícias semioficial Tasnim, do Irã, afirmou nesta segunda-feira (13) que a administração do Estreito de Ormuz é de seu país, rebatendo declarações do presidente Donald Trump de que os Estados Unidos controlariam a via e cobrariam um pedágio. A tensão entre os dois países escalou com trocas de ataques e pronunciamentos sobre o controle da rota marítima vital.

“A segurança e a gestão de Ormuz são determinadas pela vontade do Irã, e não pelos tuítes de Trump ou pela presença de navios de guerra.Trump esqueceu que o Estreito de Ormuz pertencia ao Irã milhares de anos antes da fundação dos Estados Unidos”, afirmou a agência.

 

UE defende canal livre de taxas

A União Europeia reiterou, esta segunda-feira, o apelo para que a navegação no estreito de Ormuz não esteja sujeita a portagens, após o Presidente dos Estados Unidos ter indicado que tenciona cobrar uma taxa de 20% sobre a passagem de mercadorias.

“Antes da guerra, o estreito de Ormuz estava aberto à navegação sem a imposição de portagens. Após o fim da guerra, o estreito deverá continuar aberto à navegação sem portagens. Os ministros foram claros ao afirmar que a liberdade de navegação não pode ser obstruída”, afirmou a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, em conferência de imprensa no final de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros do bloco comunitário, em Bruxelas.

 

Com G1, Agência Brasil, Infomoney e redes sociais