O presidente defendeu ainda que o mediamento deve ser utilizado junto com uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, prometeu oferecer gratuitamente no SUS canetas usadas no tratamento da obesidade, mas não apresentou prazo para que os medicamentos cheguem aos pacientes. O anúncio ocorreu em evento em Minas Gerais, no mesmo dia em que ele divulgou reajuste de 15% no Bolsa Família, previsto para outubro.
Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou: “As canetas emagrecedoras vão ser oferecidas no SUS. Elas vão ampliar o acesso ao tratamento da obesidade, sempre com muita responsabilidade e protocolos médicos rigorosos, e proporcionar maior qualidade de vida para a população”.
A promessa ainda depende da recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), de uma decisão formal do Ministério da Saúde, da criação de um protocolo clínico e da definição de recursos para bancar a medida.
O Ministério da Saúde declarou que as canetas “vão ser implementadas de forma responsável”, sem informar cronograma, impacto no orçamento ou quais etapas pretende cumprir antes de ampliar o acesso. Hoje, o SUS não disponibiliza remédio específico para obesidade; a cirurgia bariátrica é a principal alternativa na rede pública, com filas para atendimento.
As canetas emagrecedoras vão passar a ser oferecidas no SUS de forma gratuita para o tratamento da obesidade, sempre de forma responsável, com base em estudos e na definição de protocolos clínicos. pic.twitter.com/IH6ZjYW7J4
— Lula (@LulaOficial) September 18, 2026
Ação do Ministério da Saúde fez preço cair
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já havia anunciado, na semana passada, que as canetas deveriam ser fornecidas pelo SUS. No entanto, o ministro, que é médico, deixou claro que haverá protocolos rígidos na rede pública da saúde para que as canetas só sejam recomendadas para doenças específicas. Padilha deixou claro que não serão usadas como “milagre estético”.
A oferta das canetas pelo SUS só se tornou possível por causa da atuação direta do Ministério da Saúde para que fosse ampliada a oferta e os preços caíssem. Em 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez uma chamada convocando empresas para registrar e vender o seu produto no país, dando preferência àquelas que produzem, geram emprego e renda no Brasil. A partir desta ação do governo, o preço no mercado despencou e a variedade de produtos subiu. Hoje é possível encontrar canetas no mercado na faixa de R$ 300. A expectativa é que o preço siga em queda.
A proposta é incluir esse medicamento no SUS com responsabilidade – e isso só será possível porque conseguimos ampliar a oferta no Brasil, fazendo com que os preços despencassem (agora somos o país com a maior diversidade de oferta e a redução do custo é um ponto crucial para a sua inclusão no SUS).
O uso não será estético, será baseado em protocolos rigorosos a partir de uma avaliação da saúde do paciente e do impacto do medicamento na melhora da sua condição e qualidade de vida. O mais provável é que sejam pacientes em filas de cirurgia bariátrica e diabéticos com problema cardíacos, por exemplo.
Segundo o ministro, as canetas podem ser muito importantes no caso de pacientes que, por exemplo, estão na fila de cirurgia bariátrica ou que apresentam problemas cardiovasculares. Outra possibilidade em estudo seria a utilização em casos de tratamentos de câncer de mama, uma vez que há pesquisas sobre a utilização das canetas em combate a tumores.
Nas duas últimas décadas, segundo dados do Ministério da Saúde, a obesidade aumentou 118% no Brasil, uma curva ascendente que está relacionada aos hábitos da população, alimentação e sedentarismo. Um dos cenários mais preocupantes é a obesidade entre crianças e adolescentes.
Como será feita a introdução das canetas no SUS
O Ministério da Saúde fará a inclusão do medicamento no SUS com foco em grupos prioritários. É importante frisar: o uso não é estético e o governo vai zelar pelo bom uso de recursos públicos. O medicamento pode salvar vidas ou melhorar muito a qualidade de vida de obesos.
Desde maio deste ano, 250 pacientes do SUS foram selecionados para começar a receber o medicamento. São pessoas com obesidade grave ou associada a outras doenças, como problemas cardíacos e diabetes. Inclui também quem precisa perder peso ou melhorar a sua condição de vida para fazer a cirurgia bariátrica.
A partir deste recorte com tais pacientes, realizado pelo Grupo Hospital Conceição (GHC), será estabelecido um protocolo de uso na rede pública.