O candidato também defende ajuda para colocar no mercado de trabalho mulheres vítimas de violência
No último sábado (12/09), o candidato ao governo de Goiás pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Luis Cesar Bueno, participou de um debate na TV Sucesso Band, na cidade de Rio Verde. Na ocasião, o candidato explicou seus planos para a segurança do estado, com destaque especial para a proteção das mulheres.
Na segunda rodada de perguntas a jornalista Wenya Alecrim lembrou de casos recentes de violência e tortura contra as mulheres e perguntou o que o candidato faria para combater o feminicídio (que é o assassinato de mulheres pelo fato de serem mulheres) com firmeza. Além disso, ela quis saber como garantir que as mulheres tenham mais empregos, dinheiro próprio e espaço para decidir no governo do estado.
Luis Cesar Bueno destacou que nos últimos dez anos, de 2015 a 2026, o feminicídio em Goiás subiu 312%. Ele explicou que, se uma mulher for agredida em uma cidade que fica a 100 quilômetros de Goiânia, ela precisa viajar até a capital para conseguir ajuda. Porque não existem delegacias especializadas funcionando 24 horas no interior.
Atualmente, o estado de Goiás conta com apenas 22 Delegacias da Mulher, sendo que só a da região central de Goiânia funciona 24 horas, e ainda assim com poucos funcionários. Todas as outras delegacias abrem apenas em horário comercial de segunda a sexta-feira. Isso deixa as vítimas desamparadas à noite e nos fins de semana, que é justamente quando a violência contra a mulher mais cresce .
Se uma mulher é agredida em cidades vizinhas como Aparecida de Goiânia, Senador Canedo ou Trindade nesses períodos, ela precisa viajar de 20 a 25 quilômetros até a central de flagrantes em Goiânia para conseguir registrar a ocorrência.
Para mudar isso, ele prometeu criar delegacias de proteção à mulher que funcionem dia e noite em várias regiões, além de fazer campanhas de conscientização nas escolas, nos meios de comunicação e na sociedade. Ele também explicou que não adianta só atender a mulher na delegacia, o estado precisa ajudar a conseguir um emprego e ter sua própria renda para se sustentar. Para isso, ele quer usar a agência de fomento e os sistemas de emprego do governo para colocar essas mulheres no mercado de trabalho.
Na réplica, a jornalista comentou que o machismo ainda é muito forte em Goiás e que a mudança precisa começar desde a base, ensinando as crianças que estão crescendo sobre como ter relacionamentos no futuro. Luis Cesar Bueno concordou e explicou que seu plano é colocar psicólogos nas escolas para ajudar os alunos desde cedo. Ele também disse que vai usar a OVG para criar ações de proteção e que vai buscar o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conseguir investimentos, com o objetivo de transformar Goiás em uma referência nacional no respeito e na proteção às mulheres.
Por sua vez, a jornalista Ravenna Carvalho criticou a propaganda do governo atual, que diz que Goiás é o lugar mais seguro para se viver, apontando que o estado está na verdade em sexto lugar nesse ranking. Ravenna citou uma pesquisa da Genial/Quaest que mostra que mais de 50% da população brasileira pede por mais segurança e alertou que grandes facções criminosas, como o Comando Vermelho e o PCC, estão dominando o país e também Goiás. Ela perguntou o que o candidato faria para dar continuidade e melhorar a segurança pública.
Luis Cesar explicou que o crime mudou. Segundo ele, hoje em dia roubar carros ou celulares não dá mais tanto lucro porque esses objetos têm chips e são achados rapidamente. E que agora os criminosos agora lucram com o estelionato digital. Roubando cartões de crédito e dados pessoais como o CPF pela internet. E citou também crimes como a lavagem de dinheiro.
Para resolver esses problemas, Luis Cesar prometeu transformar a Polícia Civil em uma polícia de inteligência e tecnologia para combater o crime organizado. Para a Polícia Militar, ele propõe realizar concursos para contratar mais cabos e soldados. O candidato criticou o fato de a corporação ter muitos oficiais e poucos soldados, mantendo o mesmo número de soldados de 40 anos atrás.