O Crescente Vermelho do Irã – que faz parte da organização humanitária internacional Cruz Vermelha – informou que pelo menos 201 pessoas morreram e 747 ficaram feridas após os ataques dos Estados Unidos e Israel, neste sábado (28).  Um míssil do ataque conjunto de Estados Unidos e Israel contra o Irã atingiu uma escola primária feminina em Minab, na província de Hormozgan, no sul do país, e deixou 85 mortas entre as 170 estudantes que estavam no local neste sábado (28), segundo a agência estatal iraniana IRNA. O número de vítimas fatais havia sido inicialmente divulgado como 24, mas foi atualizado ao longo do dia

Bombardeio ao invés de diálogo

ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã na manhã deste sábado (28) demonstra a impossibilidade de manter um diálogo seguro com potências que utilizam a guerra como ferramenta de pressão política, segundo a analista geopolítica e jornalista iraniana Elham Abedini, em entrevista ao Brasil de Fato.

“Eu quero dizer que, embora isso não tenha sido surpreendente, foi mais uma vez uma evidência para mostrar o quanto os Estados Unidos e o regime israelense são atores em que ninguém pode confiar. É completamente uma violação do direito internacional. Isso é um alerta para qualquer país da região”, afirma Abedini.

A analista chama a atenção para o fato de o conflito iniciar em meio a negociações entre os países sobre a política nuclear. Autoridades dos Estados Unidos e do Irã afirmaram que tiveram avanço significativo nas negociações nucleares realizadas em Genebra nesta quinta-feira (26).

 

A jornalista iraniana Elham Abedini é apresentadora, especialista em política externa, e possui um doutorado em Estudos Britânicos pela Universidade de Teerã | Crédito: Arquivo pessoal

Em janeiro, o governo iraniano solicitou uma sessão urgente do Conselho de Segurança ao alegar que o país está sob “agressão”. Desde o ano passado, a relação entre os Estados Unidos e o Irã vem tensionando, enquanto Donald Trump acusa Teerã de buscar armas nucleares e anuncia novas sanções.

Em junho do ano passado, Washington realizou ataques contra três instalações nucleares iranianas, incluindo a usina subterrânea de enriquecimento de urânio em Fordow, o que desencadeou outro capítulo de conflito entre os dois países que durou 12 dias.

“Desta vez, novamente, estamos na mesa de negociações, exatamente como na última guerra de 12 dias, tentamos chegar a um acordo. Muitos oficiais dos Estados Unidos e do Irã disseram que a negociação foi completamente positiva e que estávamos perto de chegar a um acordo. Então, de repente, vimos que os Estados Unidos lançaram uma guerra contra o Irã”, acrescenta,

Resposta do Irã

Em resposta aos ataques, o Irã lançou uma ofensiva contra Israel e 14 bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio. Segundo a imprensa estatal iraniana, instalações militares estadunidenses no Bahrein, Jordânia, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita foram atingidas. A Guarda Revolucionária Islâmica também afirmou ter atacado um navio de apoio de combate da Marinha dos EUA, identificado como US MST.

Em Israel, as Forças de Defesa de Israel informaram que sirenes de alerta aéreo foram acionadas em diversas regiões após a detecção de mísseis lançados do Irã. Os militares disseram que a força aérea atua para interceptar os projéteis e que realizou uma “ampla onda de ataques” contra sistemas estratégicos de defesa iranianos, incluindo um sistema avançado SA-65 na região de Kermanshah, no oeste do país.

Serviços de emergência israelenses relataram que um prédio no centro do país foi atingido por um míssil, além de outro ponto de impacto. Até o momento, não há confirmação oficial sobre vítimas nesses locais.

A escalada também atingiu outros países do Golfo. Em Dubai, um incêndio foi registrado nas proximidades do Fairmont The Palm, após o que a emissora estatal IRIB classificou como impacto de mísseis. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram fogo ativo próximo ao edifício, sem indicação de danos à estrutura principal.

Na capital Abu Dhabi, explosões foram registradas nas proximidades da base aérea americana Al Dhafra. Já no Kuwait, um drone atingiu o Aeroporto Internacional do Kuwait, causando ferimentos leves em funcionários e danos materiais limitados ao terminal de passageiros, segundo a autoridade de aviação civil do país. O local foi isolado e os protocolos de emergência, acionados.

 

 

Brasil e líderes mundiais repudiam ataques

Autoridades de todo o mundo reagiram ao ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã a despeito das negociações diplomáticas em andamento entre Washington e Teerã.

O governo brasileiro condenou os ataques e expressou “grave preocupação” com os ataques. “Um processo de negociação entre as partes”, diz o comunicado, “é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”.

“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, diz outro trecho.

Até o momento, pelo menos 51 pessoas morreram no Irã, sendo a maioria estudantes. De acordo com a autoridade local Mohammad Radmehr, o ataque atingiu diretamente uma escola em Minab, cidade do sul do Irã, onde havia cerca de 170 estudantes no momento. As equipes de resgate ainda atuam no local, e o número de vítimas pode aumentar.

 

Conselho de Segurança convoca reunião de emergência

Diante da escalada, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) convocou uma reunião de emergência para as 16h, no horário da Costa Leste dos Estados Unidos, após pedidos da França, do Bahrein e do próprio Irã.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que condena a escalada militar no Oriente Médio e declarou que o uso da força por Estados Unidos e Israel contra o Irã, bem como a retaliação iraniana na região, “minam a paz e a segurança internacionais”. Ele pediu cessação imediata das hostilidades e advertiu que a continuidade do confronto pode desencadear um conflito regional mais amplo.

BdF –  foto: Irna