Egito poderia ter vencido por 4×3 não fosse a inferência do árbitro, numa partida que traz de volta os fantasmas da Copa de 1978

Marcus Vinícius de Faria Felipe

 

A Copa de 2026 continua a render lances polêmicos. O Egito, liderado por Mohamed Sallah fez um jogaço, que poderia ter terminado em 3×0, não fosse o juiz Francois Letexier anular um golaço do atacante Mostafa Zico aos 12 do segundo tempo. Antes do lance, o Time dos Faraós vencia por 1×0, com gol de cabeça do atacante Yasser Ibrahim, aos 15′ do primeiro tempo, a partida iria, portanto, a 2×0, e iria para 3×0, com outro gol de Ziko, aos 22 minutos, ou seja, o Egito chegaria a 3×0.

 

Mas o juizão anulou o gol egípcio e Messi, mesmo muito bem marcado achou um passe para Romero que fez o primeiro dos Hermanos aos 34, e ele próprio, Messi, faria o gol do empate aos 38.

Nos acréscimos da segunda etapa, Enzo Fernàndez deu números finais marcando o terceiro aos 47”, selando a classificação da argentina para as quartas-de-final.

E este gol, que classificou a Argentina também foi questionado pelo selecionado egípicio. O cronometro marcava os 46 minutos quando Salah perdeu a bola no ataque – e pediu pênalti. O juiz não deu e a Argentina partiu no contra-ataque, Lautaro foi lançado na direita, cruzou para a área, e Enzo Fernández cabeceiou, definindo o placar.

 

Assim com um bom tango de Gardel, a trama deste jogo ainda teve um pênalti perdido por Messi, o quarto dele perdido, consecutivamente, em quatro copas.

O fato é que, assim como contra Cabo Verde, los hermanos venceram com muita dificuldade e uma grande ajuda do juiz (como foi contra os caboverdianos) uma equipe africana.

E não custa lembrar que não é a primeira vez que a arbitragem ajuda a Argentina. Não nos esqueçamos do gol de mão do gênio Diego Maradona (que Deus o tenha!).

 

O jogo desta terça-feira, 07/07, também mostrou a “messi-dependência” do selecionado argentino, mostrando para os adversários, que uma pressão maior sobre o craque pode tirar os campeões do mundo do jogo. Fica a dica para Colômbia e a Suíça, que jogam hoje, e um deles deve enfrentar os argentinos nas quartas.

Ecos da Copa de 1978

Depois que o presidente norte-americano Donald Trump “rasgou” o cartão do atacante Folarin Balogun, para que ele jogasse a partida contra a Belgica (que felizmente despachou os Yankees por 4×1), esta Copa de 2026, traz reminiscências de outra, realizada na Argentina em 1978, quando o ditador  Gen. Jorge Videla entrou em campo e pressionou a Fifa para que a taça ficasse em solo argentino.

Videla ficou com a Taça do Mundo

 

No livro:  Fuimos campeones: la dictadura, el mundial 78 y el mistério del 6 a 0 a Peru, o jornalista Ricardo Gotta narra um episódio – segundo ele, negado por metade dos jogadores peruanos e contado em detalhes pela outra metade – que teria causado profundo impacto sobre Quiroga, Cubillas e cia: a ida do ditador argentino, Gen. Jorge Videla, ao vestiário peruano, pouco antes do início da partida, acompanhado de Henry Kissinger, o super-poderoso Secretário de Estado dos EUA,  sob o pretexto de “saudar os irmãos latino-americanos”.

Livro e documentários contam a pressão da ditadura argentina sobre a FIFA em 1978

 

“Tendo ocorrido no país dos sequestros e da tortura, a visita do ditador ao lado de um dos homens mais influentes do mundo, teria repercutido tão fortemente sobre os jogadores peruanos que, nas palavras de Gotta, “vindas do inconsciente essas questões fazem com que os músculos não respondam plenamente”. Assim, em outro episódio bastante questionável de sua biografia, Henry Kissinger também teria participado de um dos eventos mais vergonhosos da história do esporte mundial, em apoio a uma das várias ditaduras que ajudou a implantar.”, observa o escritor.

Kissinger e Videla juntos, na Copa de 1978

Foto: Redes Sociais