Tirado à força do Palácio das Campinas, Iris fez o maior comício das Diretas Já

 

Marcus Vinícius de Faria Felipe

É impossível comparar a trajetória de Iris Rezende Machado com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), preso por tentativa de golpe, onde planejou matar o presidente Lula (PT-SP), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP) e o ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Iris Rezende  era um democrata. Sempre disputou o escrutínio popular. Foi líder estudantil, vereador, deputado estadual, quatro vezes prefeito de Goiânia , duas vezes governador e Senador, sempre eleito pelo voto. Bolsonaro era o deputado amigo da milícia, defensor dos porões da ditadura  que comprou 51 imóveis em dinheiro vivo, supostamente com recursos das “rachadinhas”, nome ‘fofinho’ para encobrir as denúncias de que ele tomava dinheiro dos assessores para enricar.

Iris gostava muito de trabalhar. Não tinha tempo para motociata, passeios de jet-ski ou para ter “um clima”, com adolescentes na periferia da Capital Federal.

Comparar Iris com o “presidente-preguiça” é um insulto à sua memória.

 

 Iris na maratona, Lula na corrida e Bolsonaro no jetski

Seja como governador do Estado ou como prefeito de Goiânia, Iris Rezende acordava cedo para vistoriar obras ou para receber lideranças políticas e comunitárias, pois era um político que gostava de ouvir o povo.

Era também um tocador de obras. Gostava de realizar. Se não tinha recursos, apelava para o mutirão, tradição goiana de reunir a comunidade para juntar forças e resolver problemas.

Foi com esta aposta no coletivo que Iris construiu, por meio do mutirão,  mil casas num só dia, oportunizando moradia para famílias sem-teto na Vila Mutirão.

No seu tempo ele foi o governador que mais pavimentou rodovias em Goiás, o que mais construiu escolas, e talvez sua obra de maior envergadura para a economia de Goiás tenha sido o Programa de Eletricifação Rural, através do Fundo Nagazoni, que proporcionou eletrificação de mais de 21 mil propriedades rurais goianas na década de 1990, por meio da extinta CELG (Centrais Elétricas de Goiás).

Desafio os apoiadores do presidente-presidiário a apontar uma ÚNICA obra feita em Goiás por Bolsonaro. Fez p@rcaria nenhuma. Só sabia fazer fazer discurso de ódio nas redes sociais, debochar de doentes da covid-19,  proibir a vacina e perseguir adversários.

Iris assentando tijolo na Vila Mutirão em 1983

Iris era desenvolvimentista. No seu governo não privatizou nada. Ao contrário, fortaleceu a CELG, a SANEAGO, o DERGO, o CRISA e lançou o FOMENTAR, programa de incentivo a atração de indústrias para Goiás que proporcionou que uma empresa goiana a ARISCO, se tornasse uma das maiores empresas do Brasil no processamento de alimentos. Este mesmo programa, no governo de seu sucessor, Maguito Vilela, atraiu a John Deere e a Mitsubshi para Catalão e a Perdigão para Jataí.

Bolsonaro, que ninguém esqueça, começou uma briga com a China, MAIOR PARCEIRO do agronegócio goiano (e do país). O ex-capitão queria alinhar a economia do Brasil à dos Estados Unidos, o MAIOR CONCORRENTE do agronegócio nacional. Um “jênio”!!!

Resumindo: Bolsonaro não serve para engraxar os sapatos de Iris Rezende.

Mas há uma diferença substancial entre Iris e Bolsonaro: a defesa da democracia.

Iris foi cassado pela ditadura e lutou contra o arbítrio e trabalhou pela volta da democracia. Ele foi um entusiasta do movimento Diretas Já, e fez em Goiânia, em 12 de abril de 1984, o maior comício do país reunindo cerca de 300 mil pessoas na Praça Cívica. Só para dar um dimensão da coisa, a Capital do nosso Estado tinha cerca de 800 mil habitantes na época.

 Iris, Tancredo, Ulysses, lado certo da história

Iris discursou pelo direito do povo votar para presidente ao lado de Tancredo Neves (PMDB-MG), Ulysses Guimarães (PMDB-SP), Leonel Brizola (PDT-RJ) e Luis Inácio Lula da Silva (PT-SP). Do outro lado, Bolsonaro dava entrevista falando que a ditadura matou pouco, que para melhorar o Brasil tinha que matar o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) e outros 30 mil democratas.

Iris entrou para história.

Bolsonaro foi para lata de lixo da história.

Fim.

 

Leia também:

Há 39 anos Goiânia fazia o 1º comício das Diretas Já para o país retomar a democracia