Investigações da Polícia Federal apontam conexões entre o Banco Master, investigado por fraudes e ativos fictícios, e doadores ou figuras ligadas ao bolsonarismo.

Alvos incluem o cunhado do dono do banco, grande doador das campanhas no ano de 2022 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o empresário Nelson Tanure.

Conexões Diretas: Fabiano Campos Zettel, cunhado do dono do Banco Master (Daniel Vorcaro), foi um dos maiores doadores pessoa física das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022.

O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, confirmou em entrevista que o empresário Fabiano Zettel,  “deu 3 milhões na campanha do Bolsonaro” em 2022. A fala reforça a informação já publicada pela Revista Fórum, que revelou a doação de R$ 3 milhões vinculada ao entorno do Banco Master durante a campanha presidencial.

Já para a campanha de Tarcísio, a doação foi de R$ 2 milhões. Em resposta, a assessoria do governador paulista alegou que a campanha contou com mais de 600 doadores e negou vínculo com o empresário. Além de Tarcísio e Bolsonaro, Zettel doou R$ 10 mil para a campanha de Lucas de Vasconcelos Gonzales, candidato a deputado federal por Minas Gerais pelo partido Novo, que perdeu as eleições.

Nikolas e pastor da Igreja Lagoinha em avião de Vorcaro na campanha de 2022

O esquema do Banco Master também beneficiou a campanha do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Ele e o pastor e influencer Guilherme Batista, da Igreja Batista da Lagoinha, usaram, durante a campanha eleitoral do segundo turno, em outubro de 2022, um jato (prefixo PT-PVH) que pertenceria ao empresário Daniel Vorcaro. Nikolas e o pastor viajaram na aeronave na caravana Juventude pelo Brasil, que apoiava o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante 10 dias no mês de outubro (20 a 28 de outubro) daquele ano, antes do segundo turno das eleições.

Eles utilizaram a aeronave modelo Embraer 505 Phenom 300 com o objetivo de chegar a todas as capitais do Nordeste, além de Brasília e cidades mineiras.  A informação foi revelada pelo jornal O Globo, nesta terça (3). Além dos voos para o Nordeste, o avião pousou também em Brasília.

Investigados: A PF investiga a movimentação financeira de Zettel e sua empresa, a Moriah Asset, no contexto das suspeitas de fraude no banco.
Outros nomes: O empresário Nelson Tanure foi apontado pela PF como suposto “sócio-oculto” de negócios de Vorcaro.

 

Campos Neto, ex-presidente do BC indicado por Bolsonaro, deixou de investigar o Master

 

Campos Neto:O ex-presidente do BC (Banco Central) Roberto Campos Neto, que foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tinha conhecimento da situação adversa do Banco Master, mas evitou qualquer intervenção durante seu último ano de mandato, que durou de 2019 a 2024. As informações foram publicadas pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, na edição de 28 de janeiro deste ano.
De acordo com o Estadão, o ex-presidente do BC evitou tomar medidas extremas contra a instituição do banqueiro Daniel Vorcaro.

Ex-presidente do BC teria dado um “ultimato” para resolução. A publicação afirma que o prazo estipulado para o Master encontrar uma “solução definitiva” era março de 2025. Sem a resolução dos problemas, o banco foi liquidado em novembro do ano passado, com o BC já sob o comando de Gabriel Galípolo, que assumiu a presidência do Banco Central por indicação do presidente Lula.

Os governadores Ibaneis Rocha (MDB-DF) e Cláudio Castro (PL-RJ) investiram recursos dos seus estados no Master, enquanto o governador de SP, Tarcísio de Freitas (Republicanos) recebeu doação de dinheiro do cunhado de Vorcaro

Ibaneis Rocha e Claudio Castro: Os governadores bolsonaristas de Brasília, Ibaneis Rocha (MDB) e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) também estão atolados até o pescoço no escândalo do Banco Master. Ibaneis Rocha autorizou a compra do Banco Master pelo BRB (Banco Regional de Brasília) numa operação de R$ 12 bilhões de reais, á Claudio Castro injetou R$ 980 milhões de reais da RioPrevevidência, o fundo de pensão dos servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro, em fundos de papéis podres do Banco Master.

No mês de fevereiro a PF deflagrou a Operação Barco de Papel e chegou a Balneário Camboriú, em Santa Catarina onde flagrou suspeito de desvio de recursos da RioPrevidência jogando R$ 420 mil reais pela janela do prédio. Ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, disse que o investimento de R$ 12 bilhões no Master foi em atendimento a ordens emitidas pelo governador Ibaneis Rocha.

O banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa entraram em contradição durante acareação realizada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no dia 30 de dezembro do ano passado. Durante o depoimento, Vorcaro disse que as carteiras de crédito da empresa Tirreno, ligada ao Master, tinham origem em investimentos de terceiros e não pertenciam ao banco.
Em seguida, o ex-presidente do BRB disse que foi informado de que os créditos eram próprios do Master.

“No meu entendimento, eram carteiras originadas pelo Master, que haviam sido vendidas ou negociadas com terceiros e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente [BRB]”, disse.

Contexto Político: Relatórios e discussões no Congresso apontam uma “rede” ligando o banco a políticos de direita, com alegações de uso de recursos públicos e defesa de interesses do banco.
Defesa e Ações: A defesa de Flávio Bolsonaro, no entanto, obteve decisão judicial para remover conteúdos que associavam o senador ao caso, classificando a relação como difamatória e sem nexo fático.

A PF continua a apuração de um suposto esquema de “balcão de negócios” envolvendo o banco. Na manhã de hoje a Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (4/3), a 3ª fase da Operação Compliance Zero, com o objetivo de investigar a possível prática dos crimes de ameaça, de corrupção, de lavagem de dinheiro e de invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.

Estão sendo cumpridos 4 mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados de São Paulo e de Minas Gerais. As investigações contaram com o apoio do Banco Central do Brasil.

Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e de sequestro e de bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e de preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.