Matéria do jornal O Globo, com base em dados do IBGE avalia que queda na inflação favorece o governo do presidente Lula

A jornalista Miriam Leitão, que assina coluna de Economia no jornal conservador O Globo, avalia que  o preço dos alimentos, como sempre, entrou na campanha eleitoral.  Ela observa que ” a  oposição está no ataque, mas os números favorecem fortemente o governo Lula”. Com dados do IBGE nas mãos, Miriam Leitão compara os preços dos alimentos dos últimos 43 meses, e afirma que até julho, dá essa diferença enorme.  De acordo com Miriam Leitão, os preços da comida subiram 54,2% de janeiro de 2019 até julho de 2022, nos quatro anos do governo do ex-psidente Jair Bolsonaro. No período equivalente no governo Lula, a alta foi muito menor, de apenas 13,6%.

Ovos, menos de R$ 9 reais a dúzia (8,99), arroz, menos de R$ 20,00 (19,99) o pacote de 5kg, feij]ao, R$ 6,79 1 kg

Uma rápida pesquisa nos atacadões de Goiânia pode comprovar as informações do IBGE e da matéria do jornal O Globo: A dúzia de ovos pode ser encontrada por menos de R$ 9 reais a dúzia (8,99), arroz, menos de R$ 20,00 (19,99) o pacote de 5kg, feij]ao, R$ 6,79 1 kg

Nesta sexta-feira, o IBGE vai divulgar o índice de agosto e vai ser uma deflação, queda de preços. Em alimentação, deve haver uma deflação de -0,83, na projeção da Análise Econômica. Nada disso, contudo, o governo consegue capitalizar. Primeiro porque alta de preços, ainda mais de comida, é sempre culpa do incumbente. E o sentimento real é de um orçamento sempre mais apertado.

Miriam Leitão, porém, afirma que as pesquisas eleitorais apontam que o eleitor está insatisfeito quando vai ao supermercado. No levantamento da Quaest feito na semana passada, questionados sobre o aumento do preço dos alimentos nos mercados, supermercados e feiras no último mês, 67% dos brasileiros afirmam que os produtos ficaram mais caros. Só que, de acordo com o IPCA, no mês pesquisado, a Alimentação no domicílio teve queda de 1,14%, puxada principalmente pelo tomate (-29,09%), batata-inglesa (-19,59%), cenoura(-14,41%) e café moído (-2,45%).

Preço do arroz em 2020, no governo Bolsonaro

Na época de Bolsonaro, as maiores altas foram puxadas por itens como óleo de soja (174,3%), morango (172,4%), feijão-fradinho (148,9%), feijão-carioca (130,8%) e leite longa vida (130,5%), o pacote de 5 kg de arroz chegou a ser vendido por mais de R$ 40,00 em 2020 no governo Bolsonaro. O período foi marcado por dois grandes choques externos que pressionaram os preços dos alimentos: a pandemia de Covid-19, que provocou uma crise logística global e desorganizou cadeias de produção e abastecimento, e, posteriormente, a guerra da Ucrânia.

Já no período equivalente de Lula, os maiores aumentos foram de morango (160,4%), tangerina (134,1%), cenoura (106%) e manga (104,6%). Depois desses quatro, nenhum outro item da alimentação no domicílio chegou a 60% de alta no período.

Segundo Miriam Leitão  os preços subiram muito durante a pandemia e, mesmo quando passam a subir em ritmo menor ou até cairam de preço, c as pessoas ainda não entendem que houve um recuo.  eja, uma queda pontual não significa que os preços voltaram ao nível anterior à disparada. O consumidor não sente alívio porque não houve alívio, apenas um ritmo menor de alta.

Os primeiros 43 meses do governo Bolsonaro, os alimentos básicos registraram alta expressiva. O açúcar registrou alta de 86,2%, o café de 72,4%, ovo de 63,7% e o arroz de 50,5%. Já nos primeiros 43 meses do governo Lula, os mesmos itens registraram alta bem mais moderada. O café moído foi o produto com maior pressão, acumulando alta de 49%. O leite longa vida, 19%, o feijão-carioca, 8%, e o ovo, 6%. O arroz chega a registrar deflação, com queda de 1,9% no período.

Os dois primeiros anos do governo Lula foram beneficiados pelo ciclo do boi, período de maior oferta de animais prontos para o abate, o que ajudou a reduzir o preço da carne. Ao longo dos três anos e meio de governo, as altas foram moderadas. O patinho registrou a maior alta (24%), seguido pelo acém (22%), chã de dentro (21%), músculo e peito de boi (19% cada), pá (19%), contrafilé (17%), alcatra (16%), costela (15%) e lagarto (14%). O frango praticamente não variou: o frango inteiro subiu apenas 0,35% e o frango em pedaços, 0,91% em 43 meses. O peixe, representado pela cavala, foi o único item a registrar deflação no período, com queda de 0,92%.

– Em 2022 e 2023 houve abate de fêmeas, o que gerou deflação de carnes em 2023. Inicialmente, a queda dos preços da carne ocorre quando há liquidação do rebanho e aumento do abate de fêmeas, elevando a oferta. Posteriormente, esse movimento reduz a capacidade de reposição do rebanho e cria as condições para uma nova alta dos preços da carne alguns anos depois.

Mas essas pequenas variações ocorreram depois de um período de altas generalizadas e expressivas. No governo Bolsonaro, o peito de boi liderou a alta, com 95%, seguido pela costela (94%), músculo (88%), acém (86%), pá (83%), lagarto (79%), patinho (74%), chã de dentro (73%), contrafilé (71%) e alcatra (63%). O frango também ficou significativamente mais caro: o frango em pedaços subiu 76% e o frango inteiro, 62,7%. O peixe, representado pela cavala, acumulou alta de 53% no período.

 

 

Com informações do jornal O Globo