Goiás pode ter duas senadoras pela primeira vez

Marcus Vinícius de Faria Felipe

As mulheres, tão combatidas pela extrema-direita,  podem brilhar nas eleições em Goiás, que pela primeira vez pode ter duas representantes femininas na Casa Alta do Parlamento Brasileiro.

Gracinha Caiado (União Brasil) tem mantido a liderança em sucessivas pesquisas que foram realizadas nesta pré-campanha.

No levantamento feito pelo RealTime BigData, de 9 de julho, registrado na Justiça Eleitoral sob o número GO-03751/2026, a ex-primeira-dama do Estado registrou 25% das intenções de voto, seguida por Gustavo Gayer (PL), com 15%, Gustavo Mendanha (PRD), 12%, Zacharias Calil (MDB) 12% e Vanderlan Cardoso (PSD), 9%.

 

Pesquisa Real Time Big Data – reprodução: Revista Exame A pesquisa Real Time Big Data entrevistou 1.600 eleitores em Goiás entre os dias 7 e 8 de julho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança

 

Este cenário mostra uma liderança isolada de Gracinha no eleitorado de direita e um empate técnico entre os aliados e adversários à direita e extrema direita. Deste modoa pesquisa indica que nenhum deste nomes “colou” voto com Gracinha, ou seja, estão embolados e não se inclinam a receber o “segundo voto” do eleitor de Gracinha.

Esta situação é tipica desta “era caiadista” da política goiana. Em 2018 e em 2022, quando disputou o governo de Goiás, Ronaldo Caiado não priorizou a chapa de senadores. O resultado é que Vanderlan Cardoso foi eleito na época pelo PP, em aliança com o MDB de Daniel Vilela, e o radialista Jorge Kajuru (PRP) surfou na onda bolsonarista para vencer a eleição.

 

Marconi, Waldir e Baldy perderam em 2022  por falta de composição na chapa

Em 2022, o União Brasil de Caiado tinha como principal candidato o Delegado Waldir, mas Wilder Morais (PL) é quem venceu o pleito, porque a campanha do governador não priorizou Waldir, e a votação foi divida com a candidatura do ex-ministro Alexandre Baldy (PP), desta forma, Waldir teve 539.219 votos, Baldy, 406.379 e Wilder foi eleito com 799.022, ou seja, a falta de centralidade na chapa governista deu um mandato se senador a um adversário.

Nesta eleição, aliás, Marconi Perillo (PSDB), que não quis aliança com o PT do presidente Lula,  teve 639.662 votos, e a ex-deputada estadual Denise Carvalho (PC do B), 299.013, ou seja, o ex-governador estaria eleito se fizesse a composição.

 

Ex-deputada Denise Carvalho (PCdoB) teve cerca de 300 mil votos lulistas ao Senado em Goiás em 2022

Aava deve receber votos lulistas

Nesta semana o presidente Lula (PT) fez um apelo às candidaturas de Adriana Accorsi (PT) ao governo do Estado e a Aava Santiago (PSB) ao Senado. A deputada federal informou ao diretório estadual do PT que pretende ir à reeleição, enquanto a vereadora de Goiâna deu entrevistas dizendo que considera a atender ao pedido “do maior líder político da América Latina”.

Nas eleições de 2022, o presidente Lula teve 39,51% dos votos em Goiás, totalizando 1.454.723 votos. Neste pleito, com a pré-candidatura de Ronaldo Caiado à presidência os votos devem ser mais disputados, mas a tendência é que de o petista mantenha a faixa dos 35% dos votos, e, considerando o crescimento do eleitorado goiano, deve configurar uma votação nesta casa de um milhão e meio de votos. E é justamente este eleitorado que deve derramar votos na candidatura de Aava Santiago.

Em 2022 quando disputou o Senado, Denise Carvalho vinha de um longo período de afastamento das lides políticas, e mesmo assim somou 300 mil votos. Aava Santiago está no exercício do mandato, tem presença marcante nas redes sociais, faz uma boa articulação com o eleitorado evangélicos e tem o apoio declarado do presidente. Assim como Gracinha tem respaldo claríssimo do ex-governador Ronaldo Caiado.

 

 

Comparação de pesquisas – foto feminino: Reprodução Poder Data

Os padrinhos Caiado e Lula e os votos femininos

Nestas eleições o apoio dos “padrinhos” Lula e Caiado, e a multiplicidade de candidatos à direita e a extrema direita pode levar as “afilhadas” à vitória, e marcar um ponto decisivo às mulheres em meio às declarações misóginas e machistas do campo bolsonarista, de que “mulher não sabe votar” feitas pelo empresário, Paulo Figueiredo, um dos principais aliados do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).

As falas de Figueiredo contra as mulheres e os ataques de Flavio à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) e à ex-ministra Damares Alves (PL-DF) isolam do voto feminino a candidatura de Gustavo Gayer, e põe formento nas campanhas de Gracinha e Aava. E não custa ressaltar o registro feito pela última pesquisa BTG/Nexus que mostra que o presidente Lula tem 16% mais votos no eleitorado feminino do que Flávio Bolsonaro, Outras pesquisas como a Datafolha, Quaest, CNT/MDa ou Futura Apex, registram a mesma situação, e isto abre portas para as candidaturas femininas alinhadas à pauta progressista e de defesa das mulheres. Ponto para quem apostar nesta estratégia.