O governo federal apresentou, nesta quinta-feira (16), um pacote robusto de medidas de proteção às empresas e aos trabalhadores brasileiros para responder à tarifa adicional de 25% imposta de forma unilateral e arbitrária pelos Estados Unidos.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi taxativo durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (16), na qual tratou da reação do governo Lula à confirmação do tarifaço pelos Estados Unidos. Além de classificá-lo como uma interferência externa indevida, salientou que direita usa a medida como “muleta eleitoral sem considerar os interesses do nosso povo”.

“Do ponto de vista do governo, essa interferência externa — seja ela política, seja ela econômica, seja ela uma forma de afugentar e constranger o Brasil, as famílias brasileiras, os empresários e os trabalhadores brasileiros — é inadmissível”, enfatizou.

O ministro destacou, ainda, que “a política econômica de um país é feita para os seus cidadãos, não para atender o secretário de Estado de um outro país, sinalizando com um programa de governo de transição, para atender as suas prioridades estrangeiras”. Recentemente, o senador Flávio Bolsonaro (PL) enviou mensagem a Marco Rubio colocando sua “equipe de transição” à disposição do governo dos EUA numa eventual vitória pela disputa presidencial.

Ele completou dizendo que “é para reduzir desigualdade, melhorar o bem-estar das famílias e combater o privilégio e injustiças que a gente adota uma política econômica num país”.

Em entrevista coletiva realizada no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou um programa estruturado de apoio aos setores afetados utilizará instrumentos do Plano Brasil Soberano para dar suporte financeiro direto às empresas e reforçará ações de promoção comercial.

Instituições como a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) intensificarão o trabalho de abertura de novos mercados internacionais, com o objetivo de reduzir a dependência comercial em relação ao mercado norte-americano.

Durigan pontuou que, embora alguns setores sintam os efeitos da sobretaxa, a medida unilateral de Washington não compromete a estabilidade macroeconômica do Brasil.

A prioridade do governo está centrada na proteção dos segmentos produtivos mais expostos à tarifa norte-americana, que englobam os setores de madeira, móveis, calçados, açúcar, produtos cerâmicos, além de máquinas e equipamentos elétricos.

O ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, ressaltou que a mobilização estatal busca mitigar os impactos diretos sobre as cadeias produtivas locais e salvaguardar a renda dos trabalhadores.

 

 

Diversificação como estratégia soberana

A capacidade de redirecionamento dos exportadores brasileiros foi apontada como um dos pilares da resistência econômica. Das cerca de 2,4 mil empresas nacionais que exportam para os Estados Unidos, 74% já comercializam seus produtos com outras nações.

O governo federal apoiará ativamente a ampliação desses mercados alternativos, transformando o desafio imposto pelo protecionismo de Washington em uma oportunidade estrutural para reduzir a vulnerabilidade externa da economia do país.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou que o Brasil manteve mais de 30 contatos com autoridades norte-americanas desde março de 2025, apresentou propostas fundamentadas e participou de todas as consultas do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Mesmo com a postura colaborativa de Brasília, a Casa Branca optou pela via unilateral, o que levou o governo brasileiro a confirmar que adotará os procedimentos da Lei de Reciprocidade Econômica.

Compromisso do governo
Após o anúncio dos EUA, o governo reagiu, anunciando medidas para mitigar os efeitos das novas tarifas sobre a economia brasileira e a vida da população.

Nesse sentido, Durigan destacou: “Preciso dizer à opinião pública brasileira que a nossa estabilidade macroeconômica está mantida e estará mantida a despeito da interferência externa dos EUA. Com isso, não quero menosprezar o impacto negativo que, porventura, venha a se abater sobre alguns setores, mas a gente vai seguir entregando recordes de geração de emprego, mínima de inflação, recorde na balança comercial, de abertura de novos mercados e de investimentos em infraestrutura. Não há país estrangeiro que interfira no destino do nosso povo”.

O ministro salientou ainda que o governo federal sempre esteve “ao lado das nossas empresas e vai seguir fazendo isso. Já temos pontos os mecanismos de proteção das nossas empresas e nossos empregos”.

Durigan reafirmou que os setores afetados “serão mais uma vez chamados ao diálogo e nós ampliaremos e reforçaremos o plano Brasil Soberano, que dá apoio a quem foi injustamente afetado pelo tarifaço dos EUA”.

Nesse momento, acrescentou ser incompreensível que “alguns grupos políticos e lideranças empresariais reforcem e apoiem esse pleito internacional que não resguarda as prioridades dos próprios setores que eles representam”.

Durigan também apontou que a possibilidade de adoção da Lei da Reciprocidade — aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional para enfrentar esse tipo de interferência unilateral — será levada à análise do presidente Lula por ele e demais ministros envolvidos na questão. “O presidente nos dará a orientação a respeito disso”, disse.

Ao encerrar sua fala, enfatizou: “Seguiremos sem baixar a cabeça, sem nos dobrarmos aos interesses estrangeiros; vamos seguir protegendo do Pix, maior símbolo da nossa soberania financeira. Seguiremos protegendo nossa soberania geológica, sem viralatice, e seguiremos protegendo a nossa democracia contra interferência internacional indevida”.

Com isso, concluiu, “não estamos dizendo que não estaremos abertos à negociação, porque seguiremos abertos à diplomacia e à negociação, seja com os EUA, seja com qualquer outro país que nos trate com o devido respeito”.