Flávio Bolsonaro (PL)  emitiu uma carta oficial na qual se autoproclama o “legítimo presidente” do Brasil. Contudo, o manifesto que pretendia soar como um ato de resistência patriótica acabou virando meme na internet, depois mudou, e se autodenominou líder da oposição.

Apesar das declarações de Flávio Bolsonaro, o TSE confirmou a vitória do presidente Lula no pleito. A Corte Eleitoral também afirmou que a eleição transcorreu em segurança.

Brasão oficial x Brasão de Flávio

 

Para além do anacronismo institucional de reivindicar o comando de uma nação que já não atende por esse nome, o uso do “z” adiciona um toque extra de solenidade involuntária. A grafia com a letra “z” deixou de integrar a ortografia oficial dos atos governamentais brasileiros ainda em 1931, a partir do Decreto nº 20.108, sendo formalmente banida de documentos públicos no Formulário Ortográfico de 1943.

Ao tentar conferir ar de legitimidade ao seu delírio presidencial à distância, o senador produziu uma peça de colecionador: autodeclarou-se mandatário de um país que não existe mais no mapa jurídico moderno e cuja grafia oficial parece ter ficado esquecida nos arquivos do século passado. Entre acusações severas de lavagem de dinheiro no Brasil e discursos inflamados no exterior, a tentativa de Flávio de assinar como presidente acabou gravada na história política recente como uma perfeita e involuntária piada pronta.

Brasão oficial do Brasil

A carta de Flávio

O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que pretende mobilizar a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a derrota nas eleições presidenciais. Em um texto divulgado após o pleito, Flávio voltou a questionar a legitimidade do resultado, acusou instituições brasileiras de perseguição política e disse que a disputa pela democracia ainda não terminou.

“Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno”, escreveu.

O senador voltou a acusar a Justiça de agir politicamente contra ele e sua família. No documento, classificou o cenário brasileiro como um regime de exceção e afirmou que a atuação de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) comprometeria a liberdade de atuação da oposição. As declarações são acusações feitas pelo próprio parlamentar.

Em seguida, o senador recuou e retirou da carta o trecho em que se autoproclamava “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Na nova versão do documento, o parlamentar se apresenta como “líder do Brasil”.

 

A carta e o Brasão

MDB e União Brasil defendem resultado da eleição

O União Brasil e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) defenderam o resultado do segundo turno das eleições. Os posicionamentos ocorrem após Flávio Bolsonaro publicar uma carta contestando o resultado das urnas e se declarando “presidente eleito do Brasil”, nesta quarta-feira (28).

“A eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura e o seu resultado deve ser respeitado. Neste momento, é essencial que as instituições sejam maiores que as pessoas”, diz a nota do União Brasil. O MDB disse que “reafirma sua total confiança no sistema eleitoral brasileiro e, portanto, na legitimidade do resultado do pleito do último domingo”.

 

Inspiração em Guaidó

Ao afirmar que pretende liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro (PL) remete à estratégia de Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino da Venezuela em janeiro de 2019. Naquele ano, o governo norte-americano reconheceu Guaidó como líder legítimo venezuelano e bloqueou ativos do governo de Nicolás Maduro.

 

Na primeira versão de uma carta divulgada nesta quarta-feira (28/10), Flávio se apresentou como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Na versão atualizada, retirou a expressão e passou a se definir como “líder do Brasil”.

Flávio citou os opositores venezuelanos Edmundo González e María Corina Machado. Na carta, pediu à comunidade internacional que não normalize o que classificou como perseguição política no Brasil e afirmou que pretende mobilizar a oposição por meios “pacíficos e legítimos”.

 

Apesar de ter recebido o reconhecimento de Washington e de dezenas de países como presidente interino, Juan Guaidó não conseguiu tirar Nicolás Maduro do poder. Em dezembro de 2022, a própria oposição venezuelana encerrou o governo interino que Guaidó liderava desde 2019.

Confisco
Em janeiro de 2019, o governo dos Estados Unidos bloqueou bens e contas da estatal petrolífera venezuelana PDVSA e transferiu o controle da subsidiária Citgo, que opera em território norte-americano, para representantes ligados a Guaidó.

 

Democratas criticam Trump

O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos criticou a decisão do governo de Donald Trump de conceder visto ao senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Nas redes sociais, o comitê, ligado aos democratas, fez um comparativo entre a atual política migratória estadunidense aplicada a pessoas que fogem de conflitos e o tratamento concedido a Flávio e à família Bolsonaro.

“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas [o secretário de Estado Marco] Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro”, diz o post do comitê no X.

 

 

Com DCM e Metrópoles