O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se comprometeu com o presidente norte-americano Donald Trump a isolar o PIX e priorizar as empresas de cartão de crédito Visa e MasterCard no Brasil. A proposta consta no documento de documento de 86 páginas que enviou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Flávio também pede ao governo norte americano o adiamento, por 180 dias, das tarifas de 25% contra produtos brasileiros.
Flávio Bolsonaro vai mais além, e diz que se eleito pretende retirar o país do Mercosul e priorizar as relações econômicas com os países do Ocidente (leia-se Estados Unidos), numa clara alusão de que pretende afastar o Brasil da China, principal parceiro econômico do nosso país.
O documento de Flávio Bolsonaro deixa claro que o que ele oferece aos EUA é uma reorientação da política comercial brasileira: menos integração regional, mais alinhamento bilateral com Washington e maior abertura para interesses empresariais norte-americanos.
Governo Lula defende PIX e Mercosul
O governo do presidente Lula afirmou, em documento enviado para os Estados Unidos, que o PIX beneficia o comércio e a concorrência e que as sanções que foram impostas contra o Brasil têm origem política, não tendo qualquer base legal.
Assinado pelo chanceler Mauro Vieira o documento foi protocolado junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos e responde à “investigação” dos EUA contra práticas comerciais do Brasil.
Mauro Vieira resssalta que as trifas de 25% sobre os produtos brasileiros não ocorrem por conta das condutas comerciais brasileiras, mas por questões políticas dos EUA. A Seção 301 da Lei de Comércio “não concede carta branca” para sanções como as que os EUA impuseram contra o Brasil.
Os Estados Unidos também reclamaram da remoção de conteúdo e suspensão de perfis em redes sociais por ação do Judiciário brasileiro.
O governo do Brasil explicou que os processos relacionados ao tema correram de forma regular dentro da Justiça, com todos os direitos respeitados. “Como companhias operando em qualquer grande mercado estrangeiro, podem estar sujeitas a obedecer a ordens legais e enfrentar penalidades”, afirmou.
Ataques a Lula e ao STF
Além das propostas econômicas, o documento é carregado de ataques políticos. Flávio Bolsonaro usa o fórum estrangeiro para acusar o governo Lula, criticar o STF e associar adversários ao caso Banco Master.
O senador classifica o escândalo envolvendo o Banco Master como a “maior fraude bancária da história do Brasil” e tenta construir uma narrativa que vincula o caso à cúpula federal. No texto, cita o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o próprio presidente Lula.
Flávio também menciona a contratação do escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes pelo controlador do banco, em valor que, segundo o documento, chegaria a cerca de R$ 129 milhões. Ainda afirma que outro parente de ministro do STF estaria ligado ao esquema.
A estratégia é transformar um documento comercial enviado aos EUA em uma peça de acusação contra Lula, o Supremo e adversários políticos internos.