Comissão de Ética deve suspender Amauri e Major Araújo de usar tribuna para troca de ofensas
O presidente da Comissão de Ética da Assembleia Legislativa, deputado estadual Charles Bento, informa que vai se reunir com o presidente da Alego, Bruno Peixoto, nesta quarta-feira, 13, para pôr fim à troca de ofensas e ameaças entre os deputados Amauri Ribeiro e Major Araújo, ambos do PL. Uma das alternativas é proibir a manifestação de ambos na tribuna do plenário.
Charles Bento informa que vai consultar a Procuradoria-Geral da Alego para saber quais as providências estão estabelecidas no regimento interno da Casa para o comportamento belicista dos deputados bolsonaristas.
Ameaças e intimidação
Na sessão de ontem (terça-feira, 12), Amauri Ribeiro e Major Araújo protagonizaram outra troca de ofensas. Acompanhado do coronel da Polícia Militar de Goiás, Edson Luis Souza Melo Rocha. Conhecido como Edson Raiado, o militar é acusado de assassinar o piloto Felipe Ramos Morais, de 36 anos. Felipe transportava drogas para o PCC, porém, era colaborador da Polícia Federal e preparava delação detalhada sobre as operações do crime organizado em Goiás.
Raiado assistiu à sessão usando um chapéu, marca registrada do deputado Amauri Ribeiro, que também é chamado de “deputado do chapéu”. Ao ver Edson Raiado, o Major Araújo fez um pedido de questão de ordem, e se dirigindo à Mesa Diretora, disse que se sentia intimidado pelo seu rival, Amauri, que estava escoltado por militares, e por isso pedia à presidência da Alego pedido para portar armas durante a sessão e para circular nas dependências do Legislativo.
Em entrevista coletiva, Major Araújo reforçou as denúncias contra Raiado, acusando o militar de ser “coronel do PCC, investigado pela Operação Carbono Oculto”. Araújo afirma que gosta do debate político, porém, se for chamado para briga vai usar seu direito de legítima defesa.
Ao usar a tribuna, no chamado Pequeno Expediente, quando os deputados tem direito a cinco minutos de fala sem direito a apartes, Amauri Ribeiro iniciou falando dos feitos de seu mandato, mas ao final passou a apresentar vídeo com as imagens e falas do Major Araújo, ocorridas na sessão da semana passada, onde o militar diz que se colocarem as mãos dele, a pessoa amanhecerá morta. Temendo o prosseguimento de nova troca de insultos o presidente Bruno Peixoto encerrou a sessão.
Reação
Em entrevista Bruno Peixoto diz que está fora de questão o pedido de porte de armas para quem quer que seja. Ele revela que acionou oficialmente a Corregedoria e o Conselho de Ética da Alego para acompanhar possíveis representações relacionadas ao episódio envolvendo Major Araújo e Amauri Ribeiro.
“Conversei com o deputado Júlio Pina, que é o vice-presidente corregedor, a quem cabe o recebimento de toda e qualquer denúncia ou representação. E também com o Charles Bento, presidente do Conselho de Ética, e pedi rigor nas análises e celeridade”, relatou.