Militar, que foi um dos roteiristas de ‘Tropa de Elite’, diz que não ocupar o Alemão foi um grande erro
Ex-capitão do BOPE (Batalhão de Operações Especiais), Rodrigo Pimentel criticou a operação do governo Cláudio Castro nas favelas da Penha e do Alemão:
“Com 4 PMs mortos, cidade imobilizada por horas e o Alemão ainda dominado pelo Comando Vermelho, não posso classificar como sucesso. Nada muda na vida do carioca.”
Ex-capitão do BOPE Rodrigo Pimentel criticou a operação do governo Cláudio Castro: “Com 4 PMs mortos, cidade imobilizada por horas e o Alemão ainda dominado pelo Comando Vermelho, não posso classificar como sucesso. Nada muda na vida do carioca.” pic.twitter.com/DkGVBW6hab
— O PROGRESSISTA (@ambrosi_bispo) October 30, 2025
Pimentel desmente o discurso do governador Claudio Castro e de seus colegas governadores de extrema-direita, de que não precisam de ajuda da União para controlar a situação no Rio e em outros estados onde o crime organizado ocupa territórios. Segundo o capitão, o Estado do Rio de Janeiro já demonstrou que não têm condições, sozinho, de enfrentar o problema do crime organizado, e que precisa sim do apoio do governo federal.

Para Rodrigo Pimentel, foi um grande erro da polícia do Rio de Janeiro não ocupar o Morro do Alemão.
“Não ocupar o complexo do Alemão hoje com uma força policial ou então com uma força militar é um grande equívoco. Existe uma ideia de reviver uma UPP, a UPP falhou em função de várias questões, muitas variáveis, mas hoje, já que você está lá no Alemão, que você retirou 75 fuzis, prendeu 80 bandidos, seria o momento oportuno para o governo federal apoiar um processo de ocupação territorial efetivo”, disse, em entrevista ao site UOL.
O capitão Rodrigo Pimentel ressalta que o governo da presidente Dilma Roussef (PT) ocupou o Alemão por 19 meses, com resultado positivo:
“Ficamos 19 meses sem nenhum homicídio no Complexo do Alemão. Não é possível que alguém ache isso ruim. Você reduzir a aero o número de homicídio naquela localidade, não é possível que algúem discorde disso. Então, quem sabe, uma boa colaboração do governo federal com cessão de efetivos, de ocupação do Complexo do Alemão”, arremata.
Segundo o ex-capitão, a situação no Rio de Janeiro pode ser classificada como um “conflito armado não internacional”, caracterizado pelo domínio territorial por mais de 20 anos, presença de facções armadas com mais de 300 integrantes, com capacidade de combate de média intensidade, afronta ao poder democrático do Estado de Direto e ameaça ao morador.
Pimentel estabeleceu um paralelo entre a situação do Rio de Janeiro e países que enfrentam uma guerra civil: “É mais ou menos o que acontece em Burkina Faso, na Nigéria, que aconteceu em Alepo, na Síria. O Brasil chama isso de banditismo”.
Com informações do UOL, CNN e Revista Oeste