O Observatório Político Eleitoral (Opel) e a Frente de Evangélicos lançaram uma pesquisa que monitorou grupos de 13 capitais do país, com a participação de aproximadamente 250 evangélicos, e desmistificou a ideia de que existe uma única visão de mundo e um voto uníssono desse grupo. Segundo um dos dados mais impactantes, apenas um em cada 10 participantes dos grupos analisados se enquadra no perfil típico de extrema direita, que é antivacina e difunde fake news, por exemplo.
A pesquisadora critica a visão maniqueísta a respeito dos evangélicos e aponta que existe uma subjetividade de todo o ser humano que, muitas vezes, é deixada de lado quando se debate a intersecção entre fé e política, incorrendo na repetição de estereótipos. “A gente tem trabalhado muito para conter o que eu vou chamar de ressentimento, que é um ressentimento legítimo. Você imagina as pessoas sistematicamente ouvirem que elas só fazem o que o pastor manda, como se elas não fossem sujeitos autônomos e donos da própria história”, afirma. “É uma construção do evangélico como inimigo, e isso tem atrapalhado diálogos e processos formativos.”
Para Zacarias, a extrema direita vem sendo bem-sucedida ao capturar as pessoas pelo discurso do medo. “A gente tem que ter as ferramentas e as informações para mostrar que a ciência supera o medo, que a informação supera o medo e, no nosso caso, como evangélicos que somos, que o amor supera o medo. Então, a gente tem esse compromisso de mostrar que o medo é algo a ser superado e ele não pode ser determinante na vida de ninguém, muito menos na vida de um país”, defende.
Nilza Valéria Zacarias explica que, ao analisar o voto evangélico de 2022 e colocá-lo na realidade de hoje, é muito provável que ele possa ter se modificado, porque o mundo não é mais o mesmo. “A gente lidou com uma polarização da igreja de forma muito pesada, extrema, uma politização muito dura, fazendo com que muitas igrejas se fragmentassem, lideranças e pessoas tomassem lado”, relata.
Um dos exemplos dados pela pesquisadora é o do deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), que tem grande apelo midiático e, recentemente, reviu suas posições.
“É um movimento que está acontecendo e que aposto que vai continuar acontecendo.”

BdF, foto: divulgação