Os grandes bancos estão mandando recado através de Editorial do jornal Estado de S. Paulo: Campos Neto, o presidente do Banco Central indicado pelo ex-presidente Jair  Bolsonaro bagunçou o mercado bancário, ao permitir aventuras como Banco Master e fintechs ligadas ao crime organizado

Com o título “BC foi muito paciente com o Master“, o jornal paulista diz com todas as letras que “o BC, quando estava sob o comando de Campos Neto, parece ter confiado demais no Master e em Vorcaro”.

O jornal da família Mesquita vai direto ao ponto:

“A esta altura, não há ninguém no País, exceto pela equipe de advogados do empresário Daniel Vorcaro, capaz de afirmar que a liquidação do Banco Master foi uma decisão precipitada. Revelações trazidas pela imprensa com frequência diária mostram, de um lado, uma instituição financeira que se utilizou de um modelo de negócios insustentável para crescer vertiginosamente em um curto espaço de tempo e, de outro, uma extensa rede de contatos em Brasília que atuou para impedir seu colapso e a ruína de seu dono”.

“São pertinentes, portanto, as dúvidas sobre se o Banco Central (BC), sobretudo na gestão de Roberto Campos Neto, não teria demorado demais para agir e fechar a instituição financeira. Afinal, como mostrou recente reportagem do Estadão, o BC estava ciente dos problemas de liquidez do Master mais de um ano antes de fechá-lo e seguiu dando oportunidades para que a instituição se ajustasse enquanto o Master mantinha uma gestão escancaradamente temerária”.

O Estadão ressalta que “em março de 2024, o Banco Central já havia constatado indícios de descasamento entre ativos e passivos do Master e obrigou a instituição a apresentar um plano de contingência para honrar seu cronograma de desembolsos. Nele, o Master se comprometeu a captar R$ 15 bilhões no mercado, dos quais conseguiu apenas R$ 2 bilhões, menos de 15% do total. Nem por isso houve intervenção“, observa.

Noutro alerta, o Estadão observa que Campos Neto EDITOU norma que deixou os bancos expostos a precatórios e direitos creditórios NÃO CONTABILIZADOS.  E põe o dedo na ferida: “O Master já abusava desse tipo de ativo desde 2021, mas jogou no lixo a oportunidade de se ajustar ao ampliar a presença desses ativos em balanço depois que o prazo havia se encerrado”.

Ao invés de chamar Daniel Vorcaro na xinxa, Campos Neto liberou geral e deixou o Banco Master continuar a “captar recursos por meio da emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas de 140% do CDI e prazo de oito anos, muito acima do praticado pela concorrência, entre 100% e 110% do CDI e vencimento entre dois e cinco anos, aproveitando-se da garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para vender ilusões.”

Traduzindo: Campos Neto,  o “menino de ouro do bolsonarismo”, foi leniente e sua leniência contribuiu para que o Banco Master continuasse fazendo operações sem lastro real.

Para pioar, “em novembro de 2024, o Master deixou de recolher depósitos compulsórios, ou seja, começou a dar calote no próprio Banco Central.

E pasmem: “Ainda assim, Campos Neto, que deixaria o cargo no fim do mês seguinte, deu novo prazo, até março de 2025, para que o banco encontrasse uma solução definitiva”.

O Estadão conclui que Campos Neto prolongou ao máximo a vida útil do Master, que deveria ter sido liquidado há cinco anos atrás, para o bem das instituições financeiras brasileiras:

“É provável que Vorcaro tenha explorado ao máximo brechas de regulação aproveitando-se do fato de que Campos Neto era favorável à ampliação da concorrência no setor financeiro. E é bem possível que o BC tenha acreditado até o fim em uma solução de mercado para o Master, que só ficou claro que não viria quando o BRB, banco estatal do Distrito Federal, surgiu em seu socorro. Felizmente, a proposta de compra acabou por ser vetada pelo BC em setembro, dois meses antes da liquidação da instituição”, pontua.

A sucessão de fatos, contada de maneira cronológica, sugere que houve certa leniência do BC com o banco de Vorcaro, que deu mostras de ser muito pouco confiável ao longo dos anos. Por outro lado, se o Banco Central tivesse sido mais rígido com o Master desde o início, o escândalo não teria chegado ao nível que chegou nem envolvido autoridades do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Fica a lição de que qualquer mercado precisa ser acompanhado com lupa pelos órgãos reguladores desde o nascedouro, para evitar que problemas normais se tornem crises – ou escândalos.