O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, ligado ao Partido Democrata, criticou a decisão do governo americano de conceder vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e a seus familiares. Em publicação nas redes sociais, o grupo comparou a medida ao tratamento dado pelos EUA a pessoas que buscam proteção por causa de conflitos no Sudão e no Haiti.

 

Isaiah Martin, que é candidato democrata ao Congresso pelo Texas, afirmou que pretende deportar Flávio Bolsonaro no primeiro dia de um eventual mandato, chamando-o de “criminoso ilegal” e criticando gastos públicos com a família. Andy Kim, senador democrata por Nova Jersey comparou a recepção a Flávio Bolsonaro com o endurecimento da política migratória dos EUA contra refugiados do Haiti e do Sudão, classificando a medida como favorecimento político. Joaquin Castro, deputado federal democrata declarou que “perder uma eleição não é motivo para asilo” e cobrou explicações da administração de Donald Trump sobre a suposta ajuda para que o senador deixasse o Brasil descumprindo ordens da Justiça brasileira.

Trump fez Flávio recuar da expressão “presidente eleito”

A carta em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se apresentou como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” gerou desconforto nos bastidores do governo de Donald Trump, segundo a colunista Patrícia Vasconcellos, do SBT News. De acordo com a jornalista, um integrante da administração norte-americana teria comentado que o governo dos Estados Unidos não desejaria ver o senador se apresentar como presidente de fato do Brasil.

Carta corrigida

A declaração, de três páginas, foi enviada na quarta-feira (28/10) a veículos brasileiros e estrangeiros, em versões em diferentes idiomas, logo depois da confirmação de que uma entrevista coletiva prevista com o senador não aconteceria mais. Na primeira versão, Flávio se dirigia ao povo brasileiro e à comunidade internacional como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, uma correção trocou a expressão por “o líder do Brasil”.

 

Críticas ao governo americano e ao pedido de asilo

Castro também questionou eventual atuação do governo Trump para ajudar Flávio a deixar o Brasil em desacordo com a legislação brasileira. Na publicação, ele mencionou ainda investigações no país sobre suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

As críticas ganharam força após a circulação da informação de que o senador teria ido aos Estados Unidos após decisão judicial que o impediu de sair do Brasil. O episódio ampliou o debate político entre democratas e aliados de Bolsonaro sobre os critérios usados pelo governo americano para conceder vistos e eventual proteção migratória.

 

Investigações citadas no Brasil

O texto também relaciona Flávio Bolsonaro a apurações no Supremo Tribunal Federal. Entre elas, está o chamado “caso Willer”, envolvendo suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao amigo e advogado Willer Tomaz, além de inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Bolsonaro, com participação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo a narrativa divulgada pelos críticos, o conjunto das investigações reforça a pressão para que o governo americano esclareça o motivo da concessão de vistos ao senador e a familiares. Até o momento, a decisão segue sendo alvo de contestação pública de parlamentares democratas nos Estados Unidos.