Delação: Mauro Cid admite que Bolsonaro tramou golpe de Estado para impedir posse de Lula

Delação: Mauro Cid admite que Bolsonaro tramou golpe de Estado para impedir posse de Lula

De acordo com reportagem do jornal O Globo, o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, disse em  delação à Polícia Federal o ex-presidente teve reunião com a cúpula das Forças Armadas e ministros militares do seu governo para avaliar a possibilidade de dar um golpe de estado, segundo a colunista Bela Megale, do jornal O GLOBO.

Segundo Mauro Cid, na reunião, onde ele também participou, foi discutida a minuta de um texto que promoveria intervenção militar e impediria a troca de governo. A reunião se deu após as eleições em que Bolsonaro saiu derrotado para o presidente Lula. A informação já estaria em posse da atual cúpula das Forças Armadas.

Cid  disse ainda que o então comandante da Marinha, o almirante Almir Garnier Santos, teria dito a Bolsonaro que sua tropa estaria pronta para aderir a um chamamento do então presidente. Já o comando do Exército afirmou, naquela ocasião, que não embarcaria no plano golpista.

A Polícia Federal tem tratado a delação de Mauro Cid como chave para as investigações e, por isso, tenta manter o máximo sigilo possível. No entanto, para haver responsabilização de alguns dos agentes citados, seriam necessárias provas.

A reportagem de O Globo apurou que entre os militares, a preocupação é grande entre ministros que participaram da gestão bolsonarista.

A Polícia Federal concordou em iniciar tratativas para uma delação premiada com Mauro Cid no dia 7 de setembro. Para prosseguir, precisava ser homologada pelo ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, o que ocorreu no dia 9 de setembro .

Minuta golpista

Outras reportagem, escrita  pelo colunista Aguirre Talento, no UOL, revela que Filipe Martins, Assessor Especial para Assuntos Internacionais da Presidência, teria levado um advogado constitucionalista e um padre para uma reunião com Bolsonaro no final do ano passado, na qual apresentaram a minuta do decreto golpista.

O documento propunha a convocação de novas eleições e autorizava o governo a prender adversários políticos. Bolsonaro recebeu o documento, mas não manifestou sua opinião sobre o plano golpista, conforme a delação. A PF investiga se essa minuta é a mesma encontrada na residência do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres.

O militar ainda relatou que Bolsonaro teve discussões com generais de alta patente sobre o tema, mas nunca autorizou expressamente a implementação de um plano golpista. Embora tenha dado indícios favoráveis em alguns momentos, a ação não foi levada adiante, e os diálogos com os generais não resultaram na execução das intenções golpistas.

Venda de joias

Conforme a matéria do UOL, além de discutir os planos golpistas, Mauro Cid compartilhou informações sobre outras questões, incluindo esquemas de venda de joias, fraudes em certificados de vacinação e suspeitas de desvio de recursos públicos do Palácio do Planalto.

É grande a preocupação entre os militares, sobre os efeitos que o relato do ex-ajudante de ordens pode ter, principalmente por envolver membros da cúpula das Forças e ministros que, apesar de estarem na reserva, foram generais de alta patente.

O capítulo relacionado às tratativas golpistas foi particularmente relevante para a PF, devido aos detalhes inéditos apresentados por Cid. Esses detalhes resultaram na assinatura do acordo de colaboração, que foi conduzido pelo advogado Cezar Bitencourt e homologado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, no dia 9 de setembro.

Com informações do UOL, O Globo, DCM e IG