Ao insistir no primo, Caiado revive a “panelinha” que derrotou Iris em 1998

 

Marcus Vinícius de Faria Felipe

A polêmica da semana sobre o candidato a vice do governador Daniel Vilela (MDB) deve ser resolvida neste 5 de agosto, último dia para definição das chapas majoritárias.

O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) tem preferência pela indicação do seu primo, Adriano Rocha Lima, que foi um faz-tudo nos seus sete anos e meio de governo. As forças políticas que apoiam a reeleição de Daniel Vilela rejeitam esta escolha, e, principalmente a ala evangélica, que faz lobby pela indicação do ex-senador Luiz do Carmo, que tem apoio da igreja Assembleia de Deus.

Há vários motivos para rejeição de Adriano Rocha Lima pelas forças aliadas ao governismo, e a primeira é de que ele no governo seria o continuísmo do governo Caiado. É como se o eleitor votasse em Daniel Vilela para governador e elegesse Adriano para primeiro-ministro.

Para população os políticos da base governista vendem a ideia de que o governo de Daniel Vilela será de continuidade da gestão de Caiado. Este discurso é sobretudo devido aos altos índices de popularidade de Caiado no Estado, porém, na prática, tudo o que a classe política quer é que o governo de Daniel Vilela NÃO seja a mesma coisa que foi o governo Caiado.

Para começar, Caiado não prestigiou a classe política de Goiás. Os principais postos de comando do seu governo forom ocupados por “gente de fora”. O MDB, a quem Caiado deve as eleições para o Senado (2014) e governo (2018 e 2022) sequer dirigiu uma mísera empresa estatal ou uma secretaria de ponta da administração.

E há mesmo esta sensação dentro do MDB de que o partido já pagou com juros e correção monetária todo o “intindimento” que fez para eleger Caiado e que agora é a vez do partido governar.

E é preciso dizer dos riscos eleitorais da indicação de Adriano Rocha, que por ser primo de Caiado, pode fazer reviver a campanha da “panelinha”, que elegeu Marconi Perillo (PSDB) governador pela primeira vez em 1998. Naquele pleito o PSDB  colocou o ator Nerso da Capetinga no horário eleitoral para questionar a “panelinha do PMDB”, com Iris Rezende candidato a governador e a sua esposa Iris Araújo suplente do senador Maguito Vilela”

Colocar Adriano Rocha na vice é reviver a panelinha:

“É o primo na vice e a mulher no Senado”, dirá outra vez o Nerso da Capetinga.

 

Caiado precisa apear.
Ele ficou montado no poder por sete anos e meio. Agora é a vez de Daniel Vilela tomar as decisões.
Se Caiado quiser eleger Gracinha ao Senado, ele terá de confiar nas articulações do governador, pois como candidato à presidência da República não terá tempo para circular o Estado com a sua esposa, ou será que ele vai preferir uma carreata em Moiporá a uma entrevista na TV Globo em São Paulo?

Se não desapegar, Caiado corre o risco de perder três eleições: a sua para presidente, a de Gracinha ao Senado e de Daniel ao governo do Estado.