A Copa do Mundo que começa nesta quinta-feira (11) difere das anteriores por ser, talvez, a mais antipática de todas as realizadas no período pós-guerra. Essa é a opinião da jornalista Zoe Alexandra, diretora de notícias do site estadunidense BreakThrough News.

“Tem essa sensação de que essa é uma Copa diferente das outras. Não é uma Copa que abre as portas“, afirma a jornalista, que é baseada em Nova York e participou de O Estrangeiro, o videocast de política internacional do Brasil de Fato.
“Lembro que mesmo no Catar, onde teve muitas contradições, sobretudo relacionadas à construção dos estádios e todo o trabalho escravo que foi utilizado, o acolhimento das pessoas que viajaram até lá, os benefícios que eles ofereceram para as pessoas que chegaram lá foi outra coisa.”
“Hoje você chega nos Estados Unidos e primeiro vai ser interrogado, tem que passar pela migração… Eu vi que alguém que queria viajar da Escócia foi deportado e retiraram o visto dela. Então não é nem só o Sul Global, todo mundo vai ter esse tratamento.”

“Depois, os preços dos hotéis subiram bastante. Não é só que o país anfitrião está numa guerra com um país participante, mas o efeito dessa guerra é que todos os preços são mais altos. E não só isso, nos hotéis, nas empresas de aluguel de carros, todos os custos estão bem elevados. Eles estão tentando aproveitar o máximo que podem para explorar as pessoas e tudo o que vão gastar — e vão ter que gastar, porque você não pode chegar ao estádio de futebol, por exemplo, em Massachusetts, que não é na cidade, não tem uma infraestrutura para ajudar as pessoas a chegar aos estádios, não tem esse acolhimento.”
Zoe Alexandra compara a recepção dos times que se hospedam na outra sede do Mundial, o México. “Ontem, vários vídeos saíram do México com bandas no aeroporto recebendo as equipes; aqui não teve essa recepção, não teve mesmo. Então eu acho que as pessoas estão cientes de que essa Copa está tendo lugar no meio de uma guerra e também numa operação massiva de deportação e tratamento cruel aos migrantes.”
Ela explica que a má recepção não é privilégio de estrangeiros que vão ao país ver os jogos. Ao contrário, diz ela, “há uma sensação de frustração porque nas cidades e nos estados onde têm estádios realmente não teve uma preparação para receber tanta gente, não tem a infraestrutura”.

“A logística que eles estão tentando montar em vários estados e cidades é insuficiente e vai custar bastante. Por exemplo, o trem de Nova York para o estádio de New Jersey custava 15 dólares; agora vai subir até 75 dólares para você ir 15 minutos de trem.
“Em muitas cidades a sensação realmente é de confusão e frustração, e as pessoas também sabem que as equipes que estão chegando recebem o mesmo tratamento que muitos migrantes que moram nos Estados Unidos ou que tentam entrar nos Estados Unidos estão recebendo. Esse começo tem sido um pouco feio.”
