As ameaças do presidente estadunidense Donald Trump à soberania dos países está afastando dos Estados Unidos parceiros comerciais tradicionais.

Assim que assumiu a Casa Branca, Trump falou em anexar o Canadá aos EUA, assim como a Groelândia e o Canal do Panamá. Pouco depois taxou em 35% o Canadá, e nesta semana decretou o tarifaço de 50% ao Brasil, país com o qual os Estados Unidos têM 201 anos de relações comerciais e diplomáticas.

Reação

O ministro do Comércio Exterior do Canadá disse na quinta-feira (18) mostrou interesse em ser membro do Mercosul, o bloco comercial sul-americano Mercosul criado nos anos 1980 pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, do qual também fazem parte a Bolívia e a Venezuela. O governo de Otawa, também abriu conversas com a China, para ser membro do BRICS, que é formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outros parceiros como Irã, Emirados Árabes, Indonésia, Nigéria, Cuba e Arábia Saudita.

Sair da esfera americana

O Canadá é o segundo maior parceiro comercial individual dos EUA, depois do México, e o maior mercado de exportação de produtos americanos. Mais de 760 bilhões de dólares em mercadorias fluíram entre os dois países no ano passado.

O território canadense é o principal destino de exportação de 36 estados americanos. Quase 3,6 bilhões de dólares em bens e serviços canadenses cruzam a fronteira todos os dias.

Cerca de 60% das importações de petróleo bruto dos EUA vêm do Canadá, assim como 85% das importações de eletricidade dos EUA. Imagine o impacto de uma adesão do Canadá ao Mercosul e ao Brics, lembrando o bloco sul-americano tem Brasil e Venezuela, entre os 20 maiores produtores de petróleo do mundo e, no Brics, as potências petrolíferas Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes.

O Canadá também é o maior fornecedor estrangeiro de aço, alumínio e urânio para os EUA e possui 34 minerais e metais essenciais, nos quais o Pentágono está investindo para a segurança nacional americana. O Canadá também é um dos países mais dependentes do comércio exterior do mundo, com 77% de suas exportações indo para os EUA.

Diversificação

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney está cada vez mais disposto a depender menos de uma relação q bilateral com os EUA.
“Conversei com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, e há interesse em realizar conversas sobre o Mercosul”, disse o ministro do Comércio Exterior canadense, Maninder Sidhu, em uma entrevista à Reuters.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em abril que está interessado em avançar nas negociações para um acordo comercial entre o bloco sul-americano e o Canadá.

O Canadá também está interessado em continuar as conversações com a China para enfrentar os desafios comerciais e considera o descongelamento das relações entre a Índia e o Canadá como um passo importante para apoiar o comércio, disse o ministro.

Com a China, há oportunidades, há desafios”, disse ele, acrescentando que os países estão mantendo discussões francas sobre um caminho a seguir em relação às tarifas comerciais sobre as exportações de canola, carne bovina, ração para animais de estimação e muitos outros produtos.

 

O Canadá tem 15 acordos de livre comércio que abrangem 51 países, o que lhe dá acesso a 1,5 bilhão de consumidores, e Sidhu disse que Ottawa buscará mais acordos desse tipo nos próximos meses, sem fornecer uma meta específica.

Com CNN e DW