A Globo deu início nesta segunda-feira (24) a uma série de entrevistas ao vivo com os seis candidatos à Presidência da República mais bem posicionados na pesquisa Quaest de 14 de agosto. Pela primeira vez, a emissora reservou um programa especial logo após o Jornal Nacional para as sabatinas, que vão até sábado (29). Renata Vasconcellos e César Tralli recebem um candidato por dia nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Cada entrevista tem dois blocos de perguntas, totalizando 40 minutos, com temas como educação, saúde, economia, segurança e combate à corrupção. Os primeiros foram os ex-governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO), hoje (26/08) o entrevistado será o empresário Renan Santos (Missão), na quinta-feira, 27/08, o presidente Lula (PT), na sexta-feira, 28/08, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e no sábado, o psicólogo Augusto Cury (Avante).

Zema e Caiado não vão bem
O desempenho dos ex-governadores Romeu Zema (PSD) e Ronaldo Caiado (PSD) não foi bom, segundo análise dos principais jornalistas do jornal O Globo. Zema recebeu nota 2, numa escala de 1 a 5, onde quanto maior a nota, melhor o desempenho, Caiado recebeu nota 1,4.
Zema foi classificado como “titubeante” e “simplório” pelos colunistas do GLOBO. Caiado foi tido como “enrolão”.
Zema cometeu gafes, não explicou o aumento de 300% no próprio salário e dos secretários e o arrocho de 8 anos no vencimentos dos servidores. O candidato do NOVO também não soube explicar porque a dívida do Estado de Minas Gerais saltou de R$ 88 bilhões para R$ 180 bilhões no seu governo.
Ao ser confrontado por dados apresentados por Renata Vasconcellos, que mencionou que a dívida de Minas saltou de 98% da arrecadação do Estado em 2019 para 137% em 2025, Zema voltou a apresentar resultados positivos de sua administração, sem responder à jornalista.
Zema defendeu a privatização da Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e o fim da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) defendendo que os trabalhadores brasileiros recebam por hora, como é nos Estados Unidos.
O candidato do NOVO, Romeu Zema se alinha à família Bolsonaro e defende anistia para os golpistas do 8 de janeiro minimizando o fato de que havia plano para matar o presidente Lula (PT) e o vice, Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Morais, do Supremo Tribunal Federal.

Caiado tem nota menor que Zema
O ex-governador Ronaldo Caiado teve uma performance descrita como “enrolada” e “inconsistente” pelos colunistas do GLOBO, o que rendeu a ele uma nota média 1,4.
Segundo o jornalista Bernardo Mello Franco, que deu nota 1 para Caiado, o ex-governador preferiu enrolar ao invés de explicar:
“Caiado apelou à velha tática de falar muito para não responder nada. Enrolou sobre a promessa de anistia aos golpistas e não soube explicar por que nem seus aliados de partido o apoiam. Evitou se comprometer com medidas impopulares, mas derrapou no elitismo ao chamar trabalhadores que recebem salário mínimo de “pobres coitados””.
Para o decano Merval Pereira, que deu (Nota 2, “Caiado não conseguiu se impor como alternativa à polarização”.
Já para a jornalista Miriam Leitão, especialista em economia, Caiado mostrou desconhecimento de como funciona o orçamento público. Ela deu nota 1 para o ex-governador.
“O pior do candidato Ronaldo Caiado foi o que ele disse sobre o fiscal. Ao falar sobre gasto público, demonstrou uma ignorância abissal ao propor que a despesa seja “limitada” a 50% do PIB, o que significa, na prática, dobrar os gastos previstos atualmente no Orçamento. Caiado não respondeu às perguntas feitas, e usou a técnica de empilhar problemas do país para ocupar o tempo. A única proposta concreta foi anistiar os golpistas de 8 de janeiro”, pontuou Miriam.
O jornalista Pablo Ortellado (Nota 1) também foi duro na avaliação do ex-governador de Goiás. Disse que “Caiado veio muito mal preparado. Foi evasivo, fugiu das perguntas falando de coisas sobre as quais não foi perguntado e se confundiu quando tentou explicar suas propostas”.
Para Pablo, “a confusão mais grave foi quando disse, várias vezes, que a despesa do governo deveria ser limitada a 50% do PIB quando parece ter querido dizer que o aumento da despesa passaria a ser limitado à inflação mais metade do crescimento do PIB”, analisa.
“Caiado chegou como o ex-governador bem avaliado e com bons resultados, mas não conseguiu defender a imagem de bom gestor ao ser incapaz de detalhar suas propostas. Propõe ser alternativa à polarização, mas sua proposta mais visível é tirar os bolsonaristas condenados por golpe da cadeia”, finaliza.
Renato Meirelles, que deu nota 1, entende que “assim como Zema, Caiado já foi visto como queridinho da Faria Lima e possível terceira via. Hoje, porém, não respondeu às perguntas nem conseguiu apresentar propostas concretas para a vida das pessoas”, observa.
“Uma terceira via competitiva precisa oferecer mais do que antipetismo. Precisa mostrar, com clareza, que país quer construir”, fuzila.
Vera Magalhães (Nota 2), também não poupou críticas ao ex-governador: “Quando dois ou três falam, ninguém entende. A entrevista foi confusa, dura de acompanhar. Caiado parecia achar que falando em cima dos entrevistadores iria escapar das inconsistências das suas respostas. Só afugentou o espectador/eleitor”.
Calendário completo das entrevistas
A ordem de participação foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos:
- 24 de agosto (segunda) – Romeu Zema (Novo)
- 25 de agosto (terça) – Ronaldo Caiado (PSD)
- 26 de agosto (quarta) – Renan Santos (Missão)
- 27 de agosto (quinta) – Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
- 28 de agosto (sexta) – Flávio Bolsonaro (PL)
- 29 de agosto (sábado) – Augusto Cury (Avante)
Com informações do jornal O Globo – fotos: reprodução TV Globo