BTG/Nexus: Lula lidera voto espontâneo, 1º turno e todos os cenários de 2º turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera numericamente todos os cenários de segundo turno da pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (29). A disputa mais apertada é contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em que os dois aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro.
A pesquisa ouviu 2.009 eleitores com 16 anos ou mais. O nível de confiança é de 95%, e o registro no TSE é BR-08521/2026.
No voto espontâneo para presidente da República, quando o entrevistado responde sem receber uma lista de candidatos, Lula aparece com 38%. Flávio Bolsonaro tem 27%. A vantagem de Lula nesse recorte é de 11 pontos percentuais.
No cenário estimulado mais amplo de 1º turno, Lula marca 42% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece com 34%. Depois vêm Ronaldo Caiado, com 5%, Renan Santos, com 4%, Romeu Zema, com 3%, e Joaquim Barbosa, Augusto Cury, Aécio Neves e Cabo Daciolo, com 1% cada. Brancos e nulos somam 5%. Os que não sabem ou não responderam são 3%.
A pesquisa BTG Nexus também testou um segundo cenário, sem Augusto Cury, Aécio Neves e Cabo Daciolo. Nesse desenho, Lula mantém 42%, Flávio Bolsonaro vai a 35%, Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem com 5%, Romeu Zema tem 3% e Joaquim Barbosa marca 2%.
Na simulação direta de segundo turno, Lula tem 47% das intenções de voto, contra 44% de Flávio. A diferença de três pontos está no limite da margem de erro. Na rodada anterior, eram 49% para o petista e 43% para o senador.
Nos demais cenários de segundo turno, Lula mantém vantagem maior. O presidente marca 48% contra 38% de Romeu Zema (Novo), 47% contra 39% de Ronaldo Caiado (PSD) e 48% contra 36% de Renan Santos, presidente do partido Missão.
Governo
A pesquisa também mostra estabilidade na avaliação do governo. A aprovação da gestão Lula ficou em 48%, mesmo índice da desaprovação. A rejeição ao presidente oscilou de 47% para 49%, enquanto a de Flávio passou de 52% para 51%, dentro da margem de erro.
O levantamento foi feito entre 26 e 28 de junho, em meio à repercussão do caso Master envolvendo Jaques Wagner, do PT, e ao vídeo de Michelle Bolsonaro que expôs tensões no campo bolsonarista. Ainda assim, os números indicam pouca oscilação no cenário presidencial.
Mulheres
Na tentativa de reduzir desgaste com o eleitorado feminino, Flávio publicou uma entrevista de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e integrante de sua pré-campanha. Na postagem, escreveu que “as mulheres terão um papel fundamental na reconstrução do Brasil”. A movimentação aumentou especulações sobre o papel de Daniella em eventual governo, especialmente na área econômica.
Outro tema no radar da direita é a situação jurídica de Jair Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, deve decidir se prorroga a prisão domiciliar temporária do ex-presidente. A defesa afirma que ele “nunca foi comunicado sobre eventual cassação do registro da arma ou mesmo de início do processo administrativo necessário para tanto” e que, portanto, “a manutenção da arma era legítima”.
Independentes votam mais em Lula
O dado que ajuda a explicar a dinâmica da disputa presidencial está entre os eleitores independentes, classificados pela Nexus como “não polarizados”. Esse grupo representa 20% do eleitorado e não se engaja nem com o antilulismo nem com o antibolsonarismo.
Entre os não polarizados, Lula aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no 1º turno estimulado. O presidente tem 33%, contra 26% do senador. Ronaldo Caiado aparece com 7%, Renan Santos com 5%, Romeu Zema com 3%, outros somam 7%, brancos e nulos são 11%, e 6% não sabem ou não responderam.
No 2º turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a vantagem de Lula entre os não polarizados cresce. O presidente marca 46% nesse grupo, contra 37% de Flávio. Brancos e nulos somam 15%.
Eleitor de terceira não está polarizado
A pesquisa BTG Nexus também mediu a preferência política geral do eleitorado. Nesse recorte, 39% dizem preferir Lula presidente, 36% preferem Flávio Bolsonaro ou outro candidato indicado por Jair Bolsonaro ou por sua família, e 21% defendem um candidato que não seja apoiado nem por Lula nem por Bolsonaro.
Esse grupo de terceira via é central para entender a disputa. Entre os 21% que preferem um candidato independente dos dois polos, 38% são não polarizados, 17% são anti-Lula e anti-Bolsonaro, 16% veem Bolsonaro como alternativa, 12% veem Lula como alternativa, 7% são bolsonaristas convictos, 6% são lulistas convictos e 3% não sabem ou não responderam.
Mesmo entre os eleitores que declaram preferência por uma opção de terceira via, a votação no 1º turno estimulado ainda se dispersa. Segundo a BTG Nexus, 54% desse grupo votam em outros candidatos, 20% votam em Lula, 10% votam em Flávio Bolsonaro, 9% votam branco ou nulo, e 7% não sabem ou não responderam.