O ano de 2025 começou com a inflação dos alimentos acima da média, e a sensação de um custo de vida elevado dominava o cotidiano da população. No entanto, o governo teve algumas vitórias importantes ao longo do ano, como a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil mensais e o menor nível de desemprego da série histórica, além de conseguir reverter parcialmente a escalada tarifária imposta por Donald Trump. A economista Camila de Caso fez uma avaliação ao BdF Entrevista, da Rádio Brasil de Fato, os principais desafios e conquistas do ano e os caminhos para 2026.

A economista destaca que a alta dos preços dos alimentos impactou a população de forma desigual, corroendo o poder de compra principalmente das famílias mais pobres. Ela explica que a resposta tradicional a esse cenário – o aumento dos juros – também se tornou um mecanismo de concentração de renda.

A taxa de juros Selic é, queiramos ou não, uma poderosa transferência de renda. Ela beneficia um grupo muito pequeno, que detém títulos da dívida pública, enquanto a maioria sente o peso do custo do crédito e da inflação. Esse movimento acaba por ampliar a desigualdade que já existia”, destaca.

“Estamos reféns de uma meta de inflação que foi sendo reduzida ao longo dos anos. Enquanto não mudarmos essa régua, ficaremos eternamente condenados a uma taxa de juros punitiva, que trava o investimento e o consumo da maioria dos brasileiros. É uma escolha de projeto de país”, explica.

O impacto da isenção do IR e o caminho para 2026

Para Caso, a aprovação da isenção do Imposto de Renda para ganhos de até R$ 5 mil é mais do que um alívio imediato; é uma política estruturante que estimula a economia a partir da base.

“Essa isenção não é apenas um dinheiro que fica no bolso. É a renda disponível que se transforma em consumo no comércio local, que gera caixa para pequenos negócios e que pode se traduzir em mais contratações. É um efeito virtuoso que começa nas famílias mais vulneráveis e se espalha pela economia real”, pontua.

Ao olhar para 2026, a economista enxerga um cenário de possibilidades abertas, mas condicionado à pressão social e ao jogo político. A expectativa de queda dos juros globais pode criar um vento favorável, mas o Congresso será o tabuleiro decisivo.

2026 é um ano eleitoral, e isso pode ser um paradoxo. Por um lado, o Congresso precisa se reeleger e pode tentar frear o caos. Por outro, a pressão por um projeto que priorize direitos sociais, e não apenas o ajuste fiscal, precisa vir das ruas. A economia já mostra que pode andar; falta a vontade política de levá-la para o caminho da justiça social”, avalia.

Dessa forma, 2025 termina com um mercado de trabalho aquecido e a inflação em trajetória de desaceleração, mas deixa claro que a batalha decisiva – entre um ajuste fiscal regressivo e um projeto de desenvolvimento com distribuição de renda – será travada no ano que vem, tanto no parlamento quanto nas ruas.

BdF