Quaest mostra queda no antipetismo e eleitorado goiano majoritariamente ao centro (37%) e à centro-esquerda (21%) contra 20% de direita e 19% bolsonaristas

Marcus Vinícius de Faria Felipe

A troca de “gentilezas” entre os candidatos de direita e de extrema-direita Ronaldo Caiado (PSD) e Flávio Bolsonaro (PL) divide o eleitorado deste segmento em Goiás e quem pode ser beneficiado é a oposição, leia-se PT e PSDB.

O leitor pode discordar, opinando que esta polarização entre Caiado e Flávio, ao contrário, pode sim turbinar as candidaturas do governador Daniel Vilela (MDB) e do senador Wilder Moraes (PL), “desmilinguindo” os demais candidatos.

Seria assim, se a política em Goiás estivesse totalmente configurada apenas num pólo à direita, mas não é isso que mostram vários levantamentos feitos pelo instituto Genial/Quaest.

Quaest/Maio: perfil ideológico do eleitor – reprodução

No mês de maio, por exemplo, a Quaest fez um relatório específico e entrevistou 11.646 pessoas em 10 estados, incluindo Goias (BR-01368/2026) para avaliar o perfil ideológico do eleitor. No questionário foi feita a seguinte pergunta: “Na escala de posições políticas, em qual grupo você se encaixa?”.

37% dos eleitores goianos se declararam independentes, ou seja, de centro;
20% de “direita não bolsonarista”;
19% afirmaram-se bolsonaristas;
12% disseram que são lulistas
9% de esquerda não lulista
3% não souberam responder.

Considerando a soma dos “lulistas” e “de esquerda não lulista”, os votos progressistas em Goiás totalizam 21%, e superam, portanto, os votos bolsonaristas (20%). A pesquisa indica que há espaço para que o candidato das forças progressistas (PT-PCdoB, PSB, PV, PSOL e Rede) dispute este percentual de votos (21%). Se esta situação for confirmada nas urnas a eleição em Goiás terá segundo turno.

Luis Cesar vs Marconi

Se o eleitor de centro (37%) corresponde a mais de um terço do eleitorado, e o eleitor progressista a um quinto (21%), juntos eles são maioria (58%), e assim, hipoteticamente, os votos caiadistas (20%) e bolsonaristas (19%) são minoria (39%). Em tese é assim, mas na disputa política, nem sempre 2+2 é igual a qual quatro. Para ganhar estes votos mais ao centro e mais à esquerda, as campanhas do ex-deputado Luis Cesar Bueno (PT) e do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) devem calibrar o discurso para sensibilizar este eleitor, pois quem melhor fazer esta conversa terá a possibilidade real de estar no segundo turno das eleições em Goiás.

Se os números mostram que há uma margem maior no discurso junto ao eleitorado de centro e centro-esquerda, eles também identificam uma maior rejeição ao estilo de campanha extremista do bolsonarismo das eleições de 2018 e 2022. Talvez seja por isso que o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) partiu para desqualificar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), de olho também em outros números, da Quaest deste mês de julho. E este também é o desafio para as campanhas do governador Daniel Vilela (MDB) e do senador Wilder Moraes (PL).

 

Bolsonarismo  e antipetismo em queda 

 

Quaest, julho: Antipetismo e não-antipetismo por região – reprodução

Nos dias de 10 a 13 de julho a Quaest (BR-07181/2026), ouviu 2004 pessoas sobre o tema “antipetismo” vs “antibolsonarismo”, e o resultado é que o antipetismo está em queda em todas as regiões do país, incluindo eleitores do Centro-Oeste/Norte. Em março deste ano 44% dos eleitores do centro-norte se declaravam ‘antipetistas’ e 54%, ‘não-antipetistas’, já no levantamento deste mês de julho, 29% afirmam que são antipetistas e 64% não-antipetistas.

Quaest, julho, anti-bolsonarismo por região – reprodução

A mesma pesquisa registra crescimento do anti-bolsonarismo, que subiu de 30% em março para 43% em julho. De outro lado, no mesmo período, os que se declaram “não-anti-bolsonaristas caíram de 67% 49%. Note-se um detalhe: entre os eleitores independentes ou de centro, e nos eleitores de direita e bolsonaristas, há um movimento de crescimento no anti-bolsonarismo e de estabilização no não-antibolsonarismo.

Quaest, julho, antipetismo, país, reprodução

Na amostra geral, o antibolsonarismo subiu de 42% (março) para 44% (julho) e o não-antibolsonarista caiu de 55% para 51% no mesmo período. O antipetismo caiu de 42% para 36% e o não-antipetista oscilou de 58% para 59%.

Quaest, julho, antibolsonarismo, país – reprodução

Desafios de Daniel e Wilder

As pesquisas favorecem a campanha do governador Daniel Vilela (MDB) à reeleição, e não obstante, a máquina administrativa também tem peso extra ao seu favor. Outra situação que é positiva é que seu principal adversário à direita, ainda não decolou. É fraco o desempenho, até o momento, da candidatura do senador Wilder Morais (PL), que sequer se aproxima dos números do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o que talvez seja o indicativo da correção da a pesquisa Quaest ao mostrar que o bolsonarismo está perdendo força.

Se quiser ser competitivo em Goiás talvez o PL tenha que repensar rumos, ou até trocar o candidato, lançando a advogada Ana Paula Rezende ao governo ao invés de Wilder Morais. Quanto a Daniel Vilela, talvez o melhor caminho seja fazer uma campanha “MDB raiz” que dialogue com os dois pólos ideológicos, evitando as amarras do caiadismo e do bolsonarismo.

Fica a dica.