Fernanda Abra, bióloga da conservação, acaba de conquistar um reconhecimento internacional que coloca o Brasil em destaque na agenda ambiental global. Ela foi anunciada como vencedora do Wayfinder Award, uma das principais premiações da National Geographic Society. Além do título de Exploradora da instituição, o prêmio inclui um aporte de 50 mil dólares para ampliar o impacto de sua pesquisa.
O trabalho de Fernanda tem foco em um problema que afeta diretamente a biodiversidade todos os dias, os atropelamentos de animais silvestres em rodovias. Sua solução foi criar pontes de dossel, estruturas suspensas que reconectam as copas das árvores separadas pela abertura das estradas. Com isso, espécies que vivem no alto da mata conseguem atravessar com segurança, sem precisar descer ao solo. Desde 2021, já foram registradas mais de 20 mil travessias seguras na Amazônia.

A ação foi desenvolvida em colaboração com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e a comunidade indígena Waimiri-Atroari, que participou ativamente da identificação dos locais prioritários, da instalação das estruturas e do monitoramento da fauna.
Um dos maiores marcos do projeto aconteceu na BR-174, que corta a Terra Indígena Waimiri-Atroari, entre Amazonas e Roraima.

Ali, foram instaladas 32 pontes em parceria com a comunidade indígena, a Universidade Federal do Amazonas e o DNIT. Em Alta Floresta, no Mato Grosso, sete pontes monitoradas registraram quase 15 mil travessias em apenas 15 meses, garantindo a sobrevivência de espécies como o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, primata recém-descoberto e já criticamente ameaçado de extinção.
A eficiência da iniciativa foi tão grande que, em 2026, o modelo desenvolvido pela equipe brasileira passou a integrar as recomendações oficiais do DNIT para rodovias federais. Com o apoio da National Geographic, o plano agora é expandir para novas áreas de Mato Grosso e outras regiões do país.
O projeto transformou um histórico conflito entre infraestrutura e conservação em um exemplo de cooperação entre ciência, governo e povos indígenas para proteger a biodiversidade amazônica.

“Dedico este prêmio ao município de Alta Floresta e a todos os parceiros que acreditaram que poderíamos fazer diferente. Cada ponte de dossel que instalamos representa algo muito simples e profundamente importante: a oportunidade de um animal continuar seu caminho. Encontrar alimento, reencontrar seu grupo, reproduzir-se, sobreviver”, afirma Fernanda Abra. “Em um mundo onde as estradas ampliaram a liberdade de movimento das pessoas, nosso desafio é garantir que a vida silvestre também possa continuar exercendo esse direito fundamental de ir e vir. É isso que essas pontes representam para mim: esperança, coexistência e futuro”, disse Fernanda Abra.
Com agências