Esfacelamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, potencializa reeleição de Lula

Jorge Folena avalia que candidatura de Flávio só sobrevive por pressão do pai e que petista crescerá durante a campanha

O presidente Lula (PT) lidera a disputa eleitoral à presidência no primeiro turno com 40% das intenções de voto, segundo pesquisa da Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira (21). O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com 33%. Em um eventual segundo turno, Lula fica com 45% e Flávio, 42%.

Já o detalhamento da pesquisa Genial/Quaest indica que Lula supera numericamente Flávio na região Sudeste, reduto dos maiores colégios eleitorais e historicamente um desafio para o petista. Além disso, o levantamento mostra queda de 37% para 22% nas intenções de voto para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro entre os evangélicos.

O advogado e cientista político Jorge Folena afirma, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, que os dados mostram uma consolidação da pré-candidatura de Lula em diversos estratos sociais e captura a desidratação de Flávio, diante dos áudios divulgados pelo Intercept Brasil, que expuseram a relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro.

“Dali para cá, outros fatores surgiram, tão graves quanto, e vêm mostrando um esfacelamento total da candidatura de Flávio Bolsonaro. Isso está sendo demonstrado agora com o presidente Lula capturando para ele a liderança, em especial no Sudeste”, avalia. “Existe uma tendência de que Lula amplie essa vantagem. E, a depender de como a militância vai entrar na campanha, Lula pode até vencer no primeiro turno.”

Folena define Flávio como um candidato “fraco” e que comete muitos erros. “A candidatura não é sustentável politicamente. E tem mais: as pessoas dão bastante destaque ao grupo religioso dos evangélicos, mas cabe lembrar que eles não são maioria religiosa no país. O maior grupo ainda são os católicos e, entre eles, o Lula vence”, destaca.

Além disso, Jorge Folena aponta para o grupo político que cerca Flávio Bolsonaro, que tem nomes como Cláudio Castro (PL), que está inelegível, e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (PL), que foi cassado. “Aquele ar de moralismo, de anticorrupção, de que a família Bolsonaro era limpa, cada vez mais vai caindo. As pessoas vão compreendendo e vão se afastando de Flávio Bolsonaro, inclusive correligionários de primeira hora, como líderes religiosos. Estamos vendo um esvaziamento da candidatura de Flávio Bolsonaro. Sem contar os erros, como o ‘tariflávio’, que já pegou. Ou seja, um entreguista, um candidato à presidência do Brasil que representa os interesses dos Estados Unidos”, destaca.

Folena também analisa a crise deflagrada após o vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que expôs o racha, não apenas na família, mas dentro do próprio partido. “Há várias lideranças do PL que não querem que Flávio seja o candidato. Mas ele será o candidato por uma questão de sobrevivência política do pai dele. O vídeo de Michelle foi pensado. Partiu do núcleo do PL, insatisfeito com a candidatura de Flávio Bolsonaro”, analisa.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.