Reportagem do site DCM destaca matéria da  jornalista Daniela Lima do UOL, que nesta terça-feira (01/09), afirmou que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF),  passou por cima dos ritos próprios do STF e entregou pessoalmente à Polícia Federal um despacho impresso para apurar o destinatário ou o conteúdo de uma mensagem atribuída ao empresário Daniel Vorcaro. A medida, segundo ela, não seguiu o canal eletrônico usual de comunicação entre o relator e a PF e criou um clima de “vale-tudo” e “guerra” dentro da Corte.

Daniela informa ter recebido a informação de que André Mendonça imprimiu a ordem, levou o documento ao responsável pela diligência e pediu um visto escrito no carimbo. “Em vez de utilizar o sistema de comunicação judiciária direto relator-PF”, o ministro teria optado pela entrega física, afirmou.

Para a apresentadora, o procedimento expõe uma desconfiança instalada entre a Polícia Federal, o gabinete de André Mendonça e o próprio ministro. Ela sustentou que a escolha de não inserir imediatamente a ordem no sistema também levou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para o centro da controvérsia.

Daniela avaliou que há regras específicas quando uma apuração menciona o procurador-geral da República, Paulo Gonet. “O detentor único do mandato para apresentar ou não uma denúncia contra um investigado é o Ministério Público”, disse, ao defender que a PGR deveria ter sido cientificada pelo rito regular.

Moraes não respondeu a suposta mensagem de Vorcaro

Reportagem da Revista Fórum informa que as mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, nas quais ele pediria ajuda para evitar ações do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não registram, nos trechos divulgados até agora, resposta atribuída ao ministro Alexandre de Moraes.

A PF trabalha com a hipótese de que o destinatário da mensagem seria Moraes. A informação foi divulgada por veículos de imprensa como o site Metrópoles e o jornal Estadão após a análise do material apreendido na investigação sobre o Banco Master. Até o momento, porém, o conteúdo tornado público não apresenta uma identificação direta do interlocutor nem uma manifestação atribuída ao ministro em resposta ao banqueiro.

Proteção – Segundo relatório da PF citado nas reportagens, a mensagem foi localizada durante a análise do celular de Daniel Vorcaro e fazia referência à necessidade de que o interlocutor ajudasse a evitar uma atuação considerada prejudicial ao Banco Master. No documento, a PF interpretou que os nomes “Andrei” e “Paulo” mencionados por Vorcaro seriam referências a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.

De acordo com o relatório policial, Vorcaro teria pedido que o interlocutor reforçasse junto às autoridades a necessidade de impedir ações de integrantes da PF e do Ministério Público Federal que, segundo ele, poderiam levar a instituição financeira a uma crise.

Os trechos divulgados indicam uma tentativa do banqueiro de buscar apoio político-institucional diante da pressão crescente sobre o Banco Master. No entanto, até agora, não foram divulgadas mensagens posteriores que indiquem uma resposta do suposto destinatário ou qualquer providência adotada após o pedido.

Vorcaro foi preso, apesar das mensagens
A sequência dos acontecimentos também mostra que as investigações contra o Banco Master avançaram apesar das mensagens atribuídas ao banqueiro.

A Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero em novembro de 2025 para investigar suspeitas de irregularidades envolvendo a instituição financeira, incluindo possíveis crimes contra o sistema financeiro. Vorcaro foi preso em 17 de novembro daquele ano, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai.

A operação teve novas fases posteriormente e passou a envolver diferentes suspeitas relacionadas à gestão do banco e às operações financeiras investigadas. André Mendonça tornou-se relator dos procedimentos no STF.

Ou seja: mesmo que a mensagem tenha sido enviada ao interlocutor apontado pela PF, o pedido de ajuda registrado no celular de Vorcaro não interrompeu a atuação das autoridades nem evitou medidas contra o banqueiro.

 

Com informações do UOL, DCM, Fórum