No seu artigo, Miguel do Rosário avalia que o gatilho veio no áudio em que o senador negocia R$ 134 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar um filme sobre o pai. Mas Lula já reagia antes da crise, e parte do eleitorado começava a se descolar de Flávio.
Depois as pesquisas Atlas, Quaest, Datafolha e BTG/Nexus, e a Meio/Ideia divulgada nesta quinta-feira (28),confirmaram a piora. A repercussão do escândalo, alimentada pela divulgação diária de novas revelações sobre a roubalheira do banqueiro, acelera um movimento já em curso.

Cinco institutos apontam na mesma direção em poucas semanas. Quando pesquisas independentes convergem assim, a tendência supera a margem de erro de qualquer uma delas isoladamente.
No primeiro turno espontâneo, Lula tem 33% contra 18,7% de Flávio. O presidente se manteve estável, enquanto o senador, em alta desde fevereiro, recuou.
No estimulado, Lula abre 7 pontos: 38,5% a 31,5%.
A virada fica mais nítida no segundo turno. No começo de maio a disputa estava empatada tecnicamente, com Lula em 45,3% e Flávio em 44,7%.
O quadro mudou. Flávio caiu para 41,4% e Lula subiu para 46,5%, cinco pontos de diferença a favor do presidente.
A queda do senador move a virada. Em três semanas ele perdeu pouco mais de 3 pontos, enquanto Lula avançou cerca de 1.
Como resumiu Pedro Doria, diretor de jornalismo do Meio:
“A queda de Flávio foi grande em três grupos onde não pode perder. Entre os jovens, na centro-direita e nos que ganham mais de 5 salários. Os jovens e os moderados de direita são fundamentais num 2º turno apertado. Os brasileiros de maior renda são onde está a briga com Lula.”
Entre os eleitores de 16 a 24 anos o tombo impressiona. Flávio tinha 55,2% no começo de maio e despencou para 39,5%.
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