O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou a aliados que pretende conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na próxima semana. A sinalização foi feita durante reunião realizada no Palácio da Alvorada com parlamentares do PSOL e da Rede, encontro que marcou a formalização do apoio da federação à candidatura de Lula à reeleição.
Segundo relatos de participantes da reunião, o presidente informou que já conversou nos últimos dias com o presidente da China, Xi Jinping, e com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para defender uma articulação internacional voltada ao encerramento da guerra na Ucrânia. Ainda de acordo com esses relatos, Lula disse que também pretende buscar diálogo com Trump para tratar do tema.
A intenção do presidente já havia sido mencionada por ele em entrevista concedida nesta quarta-feira (6) ao canal Os Três Elementos. Na ocasião, Lula afirmou que considera necessária uma atuação mais efetiva dos membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas para buscar uma solução negociada para o conflito.
“Na semana passada, liguei para o Xi Jinping para falar da necessidade do Conselho de Segurança se reunir. Ontem falei com meu amigo Putin para eles se reunirem e vou falar com o Trump também. São cinco pessoas, se reúnam, tomem um café, um vinho, um uísque, qualquer coisa. Você não tem, a nível internacional, uma esfera para discutir isso e chamar a negociação”, declarou.
Na mesma entrevista, Lula afirmou que pretende levar a mesma mensagem aos três líderes. Segundo ele, as maiores potências mundiais precisam assumir protagonismo na construção de uma saída diplomática para a guerra.
Conversa ainda não tem data definida

Apesar da sinalização pública e da conversa com aliados, ainda não há uma data confirmada para o telefonema entre Lula e Trump. Pessoas que acompanham as articulações afirmam que o contato segue sendo organizado.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) foi procurada sobre o assunto, mas não respondeu aos questionamentos até a divulgação das informações.
Também não foi informado se uma eventual conversa entre os dois presidentes incluirá outros temas da relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos, que atravessa um período de tensão diplomática.
Nas últimas semanas, o governo norte-americano adotou novas medidas contra o Brasil, entre elas a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e sanções envolvendo autoridades do país. Entre os episódios recentes está a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti.
Embora esse cenário faça parte do contexto das relações entre os dois países, os relatos sobre a reunião no Alvorada indicam que Lula apresentou o futuro contato com Trump principalmente como parte de sua estratégia para defender uma negociação internacional sobre a guerra na Ucrânia.
Lula volta a demonstrar preocupação com cenário internacional
Durante a reunião com parlamentares da federação PSOL-Rede, Lula também voltou a comentar o cenário geopolítico e afirmou enxergar riscos de interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
Segundo participantes do encontro, o presidente citou nominalmente Donald Trump e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao mencionar movimentações políticas da direita na América Latina. O tema já vinha sendo abordado por Lula em declarações anteriores.
Além da política internacional, o presidente aproveitou o encontro para tratar da disputa eleitoral deste ano. De acordo com os relatos, Lula afirmou que a campanha será difícil e defendeu mobilização permanente da militância tanto nas ruas quanto nas redes sociais.
O presidente também apresentou prioridades que pretende desenvolver em um eventual quarto mandato. Entre elas estão investimentos em educação, ciência e tecnologia, fortalecimento da área de defesa e políticas voltadas ao envelhecimento da população.
Segundo participantes da reunião, Lula afirmou que não pretende disputar um novo mandato apenas para repetir ações de governos anteriores, mas para implementar novas propostas nessas áreas.
Base no Congresso e críticas às emendas parlamentares
Outro tema tratado no encontro foi a relação entre Executivo e Congresso Nacional. Lula voltou a criticar o atual modelo de distribuição das emendas parlamentares, afirmando que o mecanismo reduz a capacidade de investimento do governo federal.
Segundo relatos dos presentes, o presidente avaliou que esse debate deverá ser enfrentado em um eventual novo governo e incentivou a eleição de parlamentares de partidos de esquerda para ampliar a base de apoio no Congresso Nacional.
Ainda durante a conversa, Lula foi questionado sobre sua participação em debates eleitorais. De acordo com os relatos, o presidente do PT, Edinho Silva, explicou que existem atualmente mais de 30 convites para eventos desse tipo e que a coordenação da campanha definirá posteriormente quais compromissos serão assumidos.
A expectativa, segundo dirigentes presentes, é que todos os partidos aliados tenham representação na coordenação da campanha presidencial.
TVTNews – foto: Ricardo Stuckert