Em pronunciamento em rede de rádio e TV neste domingo (6.09), véspera das comemorações da Independência do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância da defesa da soberania e da democracia no país, para que as riquezas nacionais promovam o desenvolvimento econômico e social dentro das nossas fronteiras.

No contexto de guerras, tarifas comerciais unilaterais e tentativas de interferências externas, o presidente reforçou o caráter pacífico do povo brasileiro, o que não significa “abaixar a cabeça diante de potências estrangeiras que querem transformar o Brasil novamente em colônia”.

Lula lembrou que o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo e a maior fonte de água doce do planeta e, no último mês, foi descoberta uma nova reserva de petróleo na costa do Amapá. O presidente tem trabalhado para que essas riquezas se revertam em benefício para o país, como é o caso da aprovação do marco legal que permitirá ao país “transformar as enormes reservas de minerais críticos e terras raras em desenvolvimento e riqueza para o povo brasileiro”.

O presidente ainda reforçou a importância do livre comércio, frisou que um país soberano é capaz de defender seu território, suas fronteiras, seu meio ambiente, suas riquezas e seu povo. É também um país que cria oportunidades para as pessoas terem a própria independência, finalizou o presidente, que ainda exaltou o orgulho de ser brasileiro.

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Projeções no Museu Nacional da República em alusão às comemorações da Independência do Brasil, celebrada em 7 de Setembro. Museu Nacional da República, Brasília – DF. Fotos: Ricardo Stuckert / PR

Confira íntegra do pronunciamento do presidente Lula

Minhas amigas e meus amigos,

amanhã, 7 de setembro, é dia de comemorar a Independência do Brasil.

Para além do grito de Dom Pedro I às margens do Rio Ipiranga, a Independência do Brasil foi uma dura conquista de homens e mulheres que deram suas vidas nas batalhas contra a tirania, a escravidão e a injustiça social.

De Tiradentes, herói da Inconfidência Mineira, a Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica, heroínas do 2 de julho na Bahia.

Defender a Independência do Brasil é defender nossa soberania e nossa democracia.

Mais do que nunca, é preciso lutar pelo que é nosso.

Temos a segunda maior reserva de terras raras do mundo, e a maior fonte de água doce.

No último mês, descobrimos uma nova e rica reserva de petróleo.

Nossas riquezas devem servir ao futuro do povo brasileiro.

Foi aprovado no Congresso Nacional o marco legal que permitirá ao Brasil transformar as enormes reservas de minerais críticos e terras raras em desenvolvimento e riqueza para o povo brasileiro.

Recursos naturais que, da mesma forma que o nosso petróleo, devem ser usados para o desenvolvimento de tecnologia de ponta e geração de empregos de qualidade no Brasil.

Por isso, não podemos baixar a cabeça diante de potências estrangeiras que querem transformar o Brasil novamente em colônia.

Não somos colônia e não seremos colônia de ninguém.

Minhas amigas e meus amigos,

um país soberano é aquele capaz de defender seu território, suas fronteiras, seu meio ambiente, suas riquezas e seu povo de quaisquer interesses estrangeiros.

Um país soberano é aquele capaz de criar as oportunidades que o seu povo precisa para conquistar a própria independência.

A independência financeira, a independência de poder estudar e pensar livremente, escolher a melhor profissão e o melhor emprego.

Ter mais tempo para si mesmo e para sua família.

A independência de contar, como previsto na Constituição Federal, com saúde pública de qualidade e a melhor educação gratuita para seus filhos.

E de viver em um país livre da fome, da pobreza e de todas as formas de desigualdade, com direitos para todos, em vez de privilégios para poucos.

Minhas amigas e meus amigos,

o Brasil trabalha pela paz mundial e a harmonia entre as nações.

Defendemos o livre comércio. Nenhum governante estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar e para quem podemos vender.

Somos um país soberano, e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém.

Temos motivos de sobra para nos orgulharmos do nosso país.

Temos na Amazônia uma das maiores biodiversidades do planeta.

Somos exemplo na defesa do meio ambiente.

Nossa riqueza cultural encanta o mundo.

Somos referência mundial em transição energética e no enfrentamento da emergência climática que ameaça o futuro da humanidade.

E temos cada um e cada uma de vocês, que formam o extraordinário povo brasileiro, um dos mais admirados em todo o planeta.

Um feliz Dia da Independência, e que Deus continue abençoando o nosso Brasil.

 

O que realmente aconteceu às margens do Ipiranga?

Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro estava voltando de Santos para São Paulo quando recebeu diferentes correspondências que revelavam a gravidade da crise política entre Brasil e Portugal: as Cortes de Lisboa exigiam seu retorno imediato a Portugal e determinavam a prisão de José Bonifácio, então ministro e um dos principais defensores da autonomia brasileira.

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Quadro Independência ou Morte! (O Grito do Ipiranga), de Pedro Américo: versão idealizada do grito de independência de D. Pedro. Imagem – Coleção Museu Paulista da USP (Museu do Ipiranga)

Dom João VI, pai de Dom Pedro e rei de Portugal, recomendava que o filho obedecesse às determinações das Cortes; Maria Leopoldina, esposa de Dom Pedro e então princesa regente do Brasil, enviava uma mensagem em sentido oposto, defendendo uma reação firme diante das pressões portuguesas; enquanto José Bonifácio, por sua vez, também escreveu ao príncipe, alertando para a gravidade do momento e defendendo que ele permanecesse no Brasil.

“As correspondências ainda traziam informações de que a própria posição de Dom Pedro na sucessão portuguesa estava ameaçada. O episódio do Ipiranga, portanto, aconteceu em meio a uma intensa disputa política e foi resultado de um processo que vinha se desenrolando havia meses, e não de uma decisão tomada de forma isolada naquele instante”, explica Glenda Cândido, professora da Escola Internacional de Alphaville – EIA, de Barueri (SP).

A história oficial conta que, às margens do riacho do Ipiranga, Dom Pedro teria proclamado a separação do Brasil com a frase “Independência ou Morte!”. A realidade, porém, pode ter sido bem diferente: não existem registros históricos que confirmem categoricamente a veracidade do “brado retumbante”, grito forte e estrondoso que teria ecoado na região no momento.

Além disso, outro aspecto interessante é a representação histórica mais famosa do momento da independência. A pintura “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, foi concluída apenas em 1888, 66 anos depois do episódio retratado. O quadro apresenta uma série de elementos idealizados, como as roupas de gala, a postura dos personagens e a grandiosidade da comitiva, montados em imponentes cavalos. Contudo, historiadores contestam o meio de transporte: o deslocamento pela Serra do Mar era difícil à época, e é bem possível que a viagem tenha sido feita em mulas, animais que eram utilizados por terem resistência ao terreno.

“A pintura ajudou a transformar o momento em um dos maiores símbolos da identidade nacional, mas não deve ser entendida como uma fotografia do acontecimento. É uma representação idealizada do episódio, que teve uma função de construção da memória nacional. Isso não significa que o episódio do Ipiranga não tenha acontecido, mas que a imagem que construímos dele é resultado também de uma interpretação artística e política posterior”, complementa Glenda.