Diante de uma explosão de casos de Covid-19 decorrentes da variante Ômicron, já dominante no Brasil, o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) cobra do ministro da Saúde Marcelo Queiroga medidas para impedir um colapso nos sistemas de saúde do país.

Na quarta-feira (12), o órgão divulgou uma nota na qual pede que a pasta acelere o processo de vacinação de crianças e amplie a testagem para controlar o avanço da doença.  Enquanto isso, o país segue às escuras quanto ao quadro real da pandemia, uma vez que a Saúde até hoje não fornece dados confiáveis desde o apagão que atingiu o ministério há mais de um mês.

O conselho considera urgente um aporte de R$ 4 por dose de vacina para cobrir custos para a abertura de postos de testagem em massa nos estados e municípios. “Se o sistema hospitalar entrar em colapso, tanto na rede privada, quanto na rede pública, óbitos evitáveis poderão ocorrer pela não garantia de acesso à internação”, alerta documento assinado pelo presidente do Conass e secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula.

No documento, Lula também pede a “imediata deflagração de campanha pela imunização completa de toda a família brasileira, com destaque para a vacinação infantil”. Contra a vontade de Jair Bolsonaro, o país recebeu, nesta quinta-feira (13), um primeiro lote de 1,2 milhão de vacinas da Pfizer, destinadas à imunização de crianças entre 5 e 11 anos, de um total de 20 milhões de doses. De acordo com o Ministério da Saúde, todas as doses devem ser distribuídas no primeiro trimestre.

O Conass também exige da pasta medidas para recomendar o cancelamento das festas de carnaval, a fim de bloquear novas ondas de transmissão do vírus. “Sendo a ômicron mais transmissível e responsável pelo aumento de pacientes com sintomas leves, os serviços ambulatoriais estarão pressionados por quadros clínicos que exigem testagem imediata, prescrição médica e emissão de atestados para o devido isolamento dos positivos”, justifica a entidade.

O conselho pede ainda atenção ao estoque de medicamentos, equipamentos de proteção e kits de intubação, bem como a ampliação de leitos de UTI.

Bolsonaro segue ao lado do vírus

Se, de um lado, o Conass trabalha ao lado de estados e municípios para evitar um novo colapso hospitalar e novas mortes por Covid-19 no país, de outro, Bolsonaro volta a atuar ao lado do vírus, em uma interminável dança da morte.

“Ômicron, que já espalhou pelo mundo todo, como as próprias pessoas que entendem de verdade dizem: que ela tem uma capacidade de difundir muito grande, mas de letalidade muito pequena”, afirmou Bolsonaro, em entrevista ao site Gazeta Brasil, na quarta-feira, minimizando mais uma vez o impacto da onda de infecções.

Dizem até que seria um vírus vacinal. Deveriam até… Segundo algumas pessoas estudiosas e sérias —e não vinculadas a farmacêuticas— dizem que a Ômicron é bem-vinda e pode sim sinalizar o fim da pandemia”, insistiu o presidente.

“Não permitiremos que esse desgoverno crie uma falsa percepção à população de um inexistente controle da pandemia”, reagiu a presidenta Nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR).