Oposição também vai ao STF contra presidente por dizer que vacina gera contaminação por HIV

A mentira contada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na última quinta-feira (21) a respeito da vacina contra a covid gerou nova reação.

Na segunda-feira (25), a banca do PSOL na Câmara e o deputado Túlio Gadêlha (PDT-PE) protocolaram uma notícia-crime contra o chefe do Executivo por ter associado o imunizante ao vírus da aids. O documento foi apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

No pedido, os parlamentares solicitam que Bolsonaro seja oficialmente denunciado por violações ao Código Penal, infração de medida sanitária preventiva e perigo para a vida ou para a saúde dos demais.

Os deputados apontam que a conduta do presidente afronta o princípio da moralidade, a Lei de Improbidade Administrativa e caracteriza crime de responsabilidade.

Os signatários do documento argumentam que, ao propagar mentiras sobre a vacinação conta a covid-19, Bolsonaro põe em xeque a estratégia colocada no Plano Nacional de Imunização (PNI), que tem provocado a redução do número de mortes e da disseminação do vírus entre a população.

“A cruzada do presidente contra a ciência e a vida continua. É fundamental que os poderes constituídos tomem as providências cabíveis para punir os responsáveis pelos atentados contra a saúde pública do povo brasileiro”, diz o documento levado ao STF.

fake news de Bolsonaro foi propagada durante uma live conduzida pelo presidente na quinta (21), quando ele chegou a dizer que pessoas que receberam duas aplicações do imunizante no Reino Unido desenvolveram a síndrome.

A conduta gerou uma onda de reações e críticas. Veio à tona nesta segunda (25), por exemplo, a notícia de que o Facebook e o Instagram excluíram das suas plataformas o link da transmissão para evitar maior acesso ao conteúdo falso.

CPI

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou nesta segunda-feira (25) que vai incluir no relatório final da CPI da Covid um pedido de medida cautelar ao Supremo Tribunal Federal para que Jair Bolsonaro seja banido das redes sociais.

“Vou pôr em votação para que Bolsonaro seja excluído das redes, assim como aconteceu com o Trump [Donald, ex-presidente dos EUA]. Bolsonaro não muda, continua fazendo as mesmas coisas”, afirmou o relator da CPI da Covid ao jornal Folha de S. Paulo. O relatório está previsto para ser votado pela CPI nesta terça-feira (26).

 

Ciência

Cientistas e entidades civis também reagiram à mentira. Foi o caso do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas, que reúne pessoas acometidas pela Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.

“Os brasileiros merecem respeito. Quem vai parar essa pessoa que desde que assumiu o cargo de presidente tem como missão estimular a necropolítica da destruição? Esperamos que a Justiça o responsabilize, pois fake news é crime, principalmente quando coloca a vida de mais pessoas em risco”, disse a entidade, em nota.

O movimento destacou ainda que a conduta de Bolsonaro “estimula a desinformação, o estigma e a discriminação contra as pessoas que vivem com HIV/aids”.

 

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