A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana determina que o PL lance candidatos em todos os Estados
Marcus Vinícius de Faria Felipe
O levantamento realizado entre os dias 5 e 9 de fevereiro com 2.004 eleitores em 120 municípios, trouxe o presidente Lula (PT) com 35% e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 29%. A novidade é que num eventual segundo turno, o petista oscilou 2 pontos para baixo, saindo de 45% para 43%, enquanto que o “filho 01” se manteve em 38%.
Os números mostram Flávio Bolsonaro consolidado como candidato de oposição a Lula e aponta uma distância muito grande dos demais candidatos de oposição, principalmente em relação aos governadores que se filiaram ao PSD, do ex-ministro Gilberto Kassab. Lula tem 35% contra 8% de Ratinho Jr. (PSD-PR); 38% a 4% contra Ronaldo Caiado (PSD-GO), 37% a 4% em relação a Eduardo Leite (PSD-RS).
Considerando o levantamento, as candidaturas do PSD são natimortas, e portanto, a tendência é que o presidente da legenda, Gilberto Kassab, libere as lideranças do partido para fazerem as composições que acharem mais interessantes nos Estados.
Neste parágrafo o eleitor pode questionar este articulista: “Então se o PSD liberar geral, Caiado pode desistir da candidatura à presidência e apoiar Flávio em Goiás, e isto não seria bom para a candidatura do vice-governador Daniel Vilela (MDB)?”.
A política é feita de sutilezas, já ensinava Maquiavel. Com Flávio em alta a direção do PL não vai abrir mão de lançar candidatos a governador em todos os estados onde isto for viável, como é o caso de Goiás, onde o senador Wilder Morais(PL) disputa com o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) para ser o candidato que vai disputar o segundo turno contra Daniel Vilela (MDB).
E é preciso dizer que Wilder Morais precisa disputar esta eleição. Seu mandato ao Senado termina em 2030, e como dizia o grande Ulysses Guimarães, “política é igual a futebol, time que não joga não tem torcida”.
Wilder vai conversar com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) no presídio da Papudinha, onde está encarcerado por tentativa de golpe der Estado. Provavelmente Bolsonaro vai pedir que Wilder mantenha a sua candidatura para fortalecer Flávio, e também para buscar a eleição do maior número de deputados federais, e quiçá, a eleição de um senador.
Gayer no NOVO
O leitor pode, outra vez, questionar sobre o interesse do deputado federal Gustavo Gayer (PL) numa aliança com Daniel Vilela (MDB), e quanto isso pode pesar ao seu favor, nesta conversa de Wilder com o capitão. Sobre isso, penso que vai valer o interesse na eleição maior, ou seja, concentrar esforços na campanha de Flávio, pois a meta é manter o nome Bolsonaro em alta, seja para tentar vencer em 2026, ou para forjar em 2030 o nome para o “pós-Lula”.
Há muitos indícios de que Gayer deve deixar o PL e se filiar ao Novo. Falamos disso, no dia 29 de janeiro, na matéria: “Nikolas vai dividir o bolsonarismo e deve ir para o Novo levando Gayer”. É preciso observar que aliados diretos de Gayer, como o delegado e ex-deputado estadual Humberto Teófilo, já se filiou ao Novo e é candidato a senador. Estaria aí sendo preparada uma dobradinha Gayer-Teófilo? Reforçando a ligação com o Novo, o próprio Nikolas admitiu ontem (quarta-feira 11) deixar o PL, por discordâncias com Flávio Bolsonaro e a direção nacional do partido.
Xadrez de Lula
Lula sabe que esta eleição vai ser disputada, e não está parado. Ele reconheceu o desconforto de partidos do Centrão com a candidatura de Flávio Bolsonaro e abriu portas de conversações com o PP, do senador Ciro Nogueira e com o União Brasil dirigido por Antônio Ruêda (desafeto do governador Caiado). Tanto Ciro, quanto Ruêda, sinalizaram que a Federação União Progressista, formada pelos seus partidos (PP-União Brasil) deve liberar o apoio à Lula nos estados do Nordeste, região onde Lula é líder disparado. Isto mina o crescimento de Flávio Bolsonaro e garante a Ciro e Ruêda a eleição do maior número de parlamentares.
De outro lado, aumentou o interesse do MDB em indicar o vice de Lula. Entre os nomes que tem ganhado mais força está o ministro dos Transportes, Renan Filho, que tem feito grandes entregas de obras de infra-estrutura, e faz uma defesa enfática do governo do presidente Lula.
Já pensou se o MDB emplaca a vice?
Assim, seja pela via de um candidato do PL, quanto pelo MDB na vice de Lula, o caminho para Daniel Vilela vai ficando mais estreito. Ele continua em vantagem e tem tudo para ser vitorioso nestas eleições, mas precisa ficar atento ao que acontece na politica nacional.