Escrevendo para o Jornal GGN, o analista Filipe Porto observa que, enquanto os Estados Unidos enquadram o desenvolvimento tecnológico da China como ameaça, a Apple aprofunda cooperação com governo chinês

por Filipe Porto, no Jornal GGN

Pela primeira vez em seis anos, o smartphone desenvolvido pela Apple tornou-se o aparelho mais vendido na China, segundo maior mercado da empresa depois dos Estados Unidos. De um lado, as fabricantes chinesas não produziram smartphones capazes de competir com o iPhone 13 neste ano. Por outro, muito desse sucesso agora pode ser atribuído às negociações do CEO da Apple, Tim Cook, que em 2016 assinou secretamente um acordo com oficiais do Partido Comunista da China, de acordo com documentos internos da empresa revelados nesta semana pelo portal The Information.

Naquela época, a Apple encontrava-se em um cenário desfavorável na China, considerada uma empresa que não contribuia suficientemente para o desenvolvimento econômico do país. O governo chegou a promover o bloqueio a diversos serviços e aplicativos da empresa, fator que diminuiu a atratividade e as vendas dos seus produtos no país. Durante o primeiro trimestre de 2016, as receitas da empresa na China caíram em 26% comparadas ao ano anterior.

Foi nesse cenário que Apple e autoridades chinesas fecharam o tal acordo. A partir daí, a empresa comprometeu-se a fazer mais investimentos no país e contribuir para o desenvolvimento local. O memorando aponta para iniciativas de cooperação com fornecedores locais, intercâmbio de técnicas de produção e aumento da participação chinesa no fornecimento dos componentes necessários para a fabricação dos produtos da Apple. Projetos como expansão de centros de pesquisa, lojas e de desenvolvimento de energias renováveis também estiveram em pauta no acordo estimado em cerca de US$ 275 bilhões.

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*Filipe Porto é mestrando em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC, integrante do OPEB (Observatório de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil/Universidade Federal do ABC) e analista editorial na Observa China 观中国。

 

 

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