Notícia repercute na imprensa internacional.  Pai, mulher e filhos eram criadores de tartaruga e foram assassinados na região do Alto Xingu

O jornal inglês The Guardian destacou o assassinato dos ambientalistas. “Ativistas ambientais lamentam mortes no estado do Pará, no estado do Amazonas, com corpos de José Gomes, Márcia Nunes Lisboa e sua filha encontrados pelo filho”, registrou o periódico.

Eles foram encontrados mortos com marcas de armas de fogo no último domingo (9) no rio Xingu, próximo à residência da família na Ilha da Cachoeira do Mucura, no município de São Félix do Xingu, sudeste do Pará.

A família atuava há 20 anos na preservação de tartarugas e tracajás (quelônios) na região. Não há pistas dos autores e da motivação do crime, segundo a Polícia Civil.

De acordo com a reportagem, a polícia do estado do Pará, na Amazônia brasileira, está investigando o assassinato de três membros da mesma família que foram mortos a tiros na casa ribeirinha onde criavam tartarugas. Nas redes sociais, ambientalistas e ativistas de direitos humanos lamentaram a perda da família.

“Eles trabalhavam pela vida no rio, pela vida na terra e pela vida em geral. E eles foram mortos, suas vidas tiradas a tiros”, escreveu Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, em um post no Twitter.

O Pará, que tem uma área cinco vezes maior que a do Reino Unido, tem sido um dos estados mais mortíferos do Brasil para defensores da terra, com menos de 5% dos assassinatos por conflitos de terra indo a tribunal, de acordo com a Comissão Pastoral da Terra, um órgão de vigilância da violência na terra. 

A Anistia Internacional Brasil cobrou celeridade nas investigações. “Os responsáveis pelos crimes devem ser identificados e responsabilizados de maneira célere e efetiva. O Estado brasileiro possui a obrigação de agir para conter a onda de violência e o ciclo de impunidade que se perpetuam na região amazônica e em todo o território nacional”, informa nota emitida pela organização.

“A Anistia Internacional cobrará e estará atenta às investigações que têm o dever de elucidar as circunstâncias dos assassinatos de Zé do Lago, Márcia e Joene”, destacou a nota.

 

Anistia Internacional cobra investigações sobre mortes de ambientalistas no Pará

As vítimas, encontradas com marcas de tiros, atuavam na preservação dos quelônios no rio Xingu, região reconhecida por conflitos e alta dos desmatamentos na Amazônia (Foto: Reprodução das redes sociais)